Londrina vai implantar o bolsa-escola
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quarta-feira, 07 de março de 2001
Silvana Leão De Londrina 
A Prefeitura de Londrina pretende implantar até o final deste semestre o programa bolsa-escola no município. A afirmação foi feita ontem pelo prefeito Nedson Micheleti (PT), que aproveitou a visita do ex-governador do Distrito Federal (DF), Cristóvam Ricardo Cavalcanti Buarque, criador do programa, para definir alguns pontos do projeto, que já está sendo desenvolvido por uma equipe técnica da Secretaria Municipal de Ação Social.
De acordo com Nedson, a idéia é contemplar o maior número possível de famílias carentes, mas ainda não é possível definir quantas seriam beneficiadas pelo bolsa-escola. Enquanto o governo federal está implantando o programa pagando R$ 15,00 mensais por criança que frequentar assiduamente a escola e um valor máximo de R$ 45,00 por família, a prefeitura de Londrina pretende repassar R$ 100,00 por mês a cada família.
Em alguns locais onde o programa já está implantado, como Distrito Federal e Rio de Janeiro, cada família recebe um salário mínimo (R$ 151,00) por mês. A princípio, o programa será mantido com recursos públicos. Depois, pretendemos buscar parcerias com a iniciativa privada para mantê-lo e ampliá-lo cada vez mais, disse Nedson.
Cristóvam Buarque, que veio a Londrina a convite dos alunos do curso de direito da Universidade Norte do Paraná (Unopar), elogiou a iniciativa da prefeitura de Londrina, e disse que o repasse de R$ 80,00 por mês a cada família já é um valor considerado satisfatório. Mas depende da realidade de cada município.
Buarque, que começou a implantar o bolsa-escola nas unidades administrativas do DF em 1995, também defende o pagamento por família, e não por criança, como o governo federal vem fazendo. Entre as razões, ele considera que quando o repasse é feito por criança, aumenta muito a responsabilidade desta com a sobrevivência da família, o que não é bom. Quando pago por família, aumenta a dignidade e o repasse é visto como um salário, não como ajuda.
Outro detalhe do programa criado por Buarque é o pagamento sempre dirigido às mães. Ele explica o porquê: São muito raros os casos de mães que abandonam os filhos, ao contrário dos pais. E são as mães, portanto, as responsáveis por controlar a assiduidade dos filhos às aulas. Se uma criança faltar três vezes ou mais na escola durante o mês, sem justificativa, perde o benefício. Por ser muito rígido, o programa não é paternalista, afirma. O bolsa-escola já foi implantado em vários Estados brasileiros pela organização não- governamental (ONG) Missão Criança, dirigida por Buarque, e em países como México, Colômbia, Equador, Bolívia e Chile.
O ex-governador do DF também falou em Londrina sobre o conceito da universidade permanente, uma espécie de ensino a distância que faz com que o profissional nunca se desligue da instituição de ensino, seja ela pública ou privada. Hoje o conhecimento avança muito rapidamente e faz com que os profissionais tornem-se obsoletos com a mesma rapidez. Por isso eles não podem jamais se desligar dos novos conhecimentos, explica Buarque. Pelo seu projeto, seria criado um banco de dados permanente de novas tecnologias, mantido pelas universidades e ao qual os interessados poderiam ter acesso com facilidade.


