Londrina vai ganhar segundo Juizado de Violência Doméstica
Segundo a juíza Zilda Romero, implantação deve ocorrer em cerca de 90 dias; Vara Maria da Penha completará dez anos em outubro
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terça-feira, 03 de março de 2020
Segundo a juíza Zilda Romero, implantação deve ocorrer em cerca de 90 dias; Vara Maria da Penha completará dez anos em outubro
Laís Taine - Grupo Folha 
Em evento de divulgação da programação do Mês da Mulher em Londrina, a juíza Zilda Romero anunciou que a cidade irá ganhar o 2º Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher e Vara de Crimes contra Crianças, Adolescentes e Idosos. O juizado especial vai permitir agilizar os processos e casos de violência doméstica em Londrina.

“Com uma certa tristeza que a gente tem que noticiar que, apesar de todas as políticas públicas em benefício das mulheres, a violência doméstica e familiar está aumentando. Eu tenho 3.700 mulheres com medidas protetivas de urgência, temos muitos casos de tentativa de feminicídio e, apesar de a Lei Maria da Penha de 2006, toda a divulgação e campanhas, as mulheres ainda sofrem preconceito, discriminação, porque ainda convivemos com esses machismos”, aponta a juíza.
Ela conta que foi em comitiva com representantes da Prefeitura, Câmara Municipal e sociedade civil organizada até o Tribunal de Justiça (Curitiba), em mobilização para demonstrar a necessidade de um segundo ajuizado. “Vai ser implantado acredito que dentro de 90 dias. Porque há uma necessidade. Eu estou marcando audiências para 2022, então essas mulheres não podem ficar aguardando tanto tempo para ter uma resposta do poder judiciário e esse agressor não responder por esses processos”, aponta.
Romero informa que são mais de 3.500 ações penais, 3.700 mulheres com medida protetiva, mais de 260 homens cumprindo a pena em Londrina. Para ela, é preciso trabalhar muito para mudar a realidade e chamar os homens para a campanha.
O Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra Mulher e de Crimes contra Criança e Adolescente - 6ª Vara Criminal, conhecida como Vara Maria da Penha, vai completar 10 anos em outubro e foi a primeira do gênero a ser criada no interior do Estado do Paraná e a terceira do interior no sul do Brasil. "O juizado é desde a entrada, desde as medidas protetivas, instrução dos processos e também a execução da pena, então tudo é feito no juizado, por isso a demanda é grande”, argumenta.
Além dos trâmites, a Comarca de Londrina conta também com três projetos de trabalho com os agressores, que são acompanhados por uma equipe especializada durante 15 sessões, na busca de reeducação e mudança de comportamento. “Nós temos que conscientizar esse homem para as formas de agressão contra a mulher. Os índices mostram que os homens que participam desses projetos têm uma reincidência muito baixa, 90% não voltam a responder a outros processos”, afirma.


