Londrina pode ganhar uma rede de proteção à crianças e adolescentes vítimas de violência doméstica. Ontem à tarde, o assunto foi abordado pela médica pediatra Luci Pfeiffer - especialista em adolescência e responsável pela implantação da rede em Curitiba - durante a Jornada de Pediatria, realizada pela Associação Médica (AML). Participaram do encontro médicos pediatras e promotores da Vara da Família, Infância e Juventude.
Incialmente, está sendo feito um trabalho de conscientização e integração dos profissionais que trabalham com crianças e adolescentes para que eles tenham condições de identificar os casos de violência. A criação da rede será discutida durante o 44º Congresso Médico da AML, que será realizado entre os dias 18 e 22 de outubro. São convidados a participar profissionais que atuam com crianças e adolescentes nas áreas de saúde, educação, Conselho Tutelar, Grupo Sentinela, Instituto Médico Legal, Ministério Público, policiais e advogados.
Após o primeiro ano de vida, a violência é a responsável pela maioria das mortes entre crianças e adolescentes. Até o primeiro ano, a violência só perde para doenças puerinatais em número de óbitos. ''O pior é que essas mortes poderiam ser evitáveis e, por isso, a Sociedade Brasileira de Pediatria está direcionando esse trabalho com duas campanhas: de prevenção de acidentes e prevenção da violência'', explica Luci.
A médica é presidente do Departamento Científico de Segurança da Criança e Adolescentes da Sociedade Paranaense de Pediatria e, por isso, iniciou em 98 o programa em Curitiba. Foram coletados dados sobre a violência em todas as faixas etárias. As informações obtidas mostraram que do total de casos em que as vítimas estavam vivas, 54% eram menores de 19 anos e 18% das vítimas de abuso sexual tinham menos de quatro anos. ''E somente um em cem casos de abuso sexual chega até o IML'', diz a médica.
No ano seguinte, foi montada uma ficha de notificação dos casos de violência doméstica e foram definidos alguns parceiros como SOS Criança, profissionais de saúde, educação, Conselho Tutelar e Delegacia da Mulher. No entanto, ficou constatado que os profissionais que atendiam os casos não sabiam reconhecer os maus-tratos. ''Esse assunto ainda é muito pouco abordado nos cursos de graduação e pós-graduação'', afirma a médica.
Em seguida foi feita a capacitação dos profissionais e, em 2001, foi montado um projeto-piloto, que atingiu 400 mil habitantes. A partir daí, a rede foi estendida para toda a capital. No ano passado, a maioria dos casos atendidas pela rede foi referente à negligência, seguida pelo abuso físico e sexual. Há também o abuso psicológico, que são humilhações, castigos e ameaças.

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