Londrina terá setor de psiquiatria forense
O Serviço de Psiquiatria Forense de Londrina estará funcionando
em 15 dias. Foi o que garantiu o diretor-geral do Instituto Médico Legal do Paraná (IML), Francisco Moraes Silva, que esteve na cidade ontem para uma visita rotineira. Ele se reuniu com promotores e juízes no Fórum, no início da tarde, para discutir a questão da segurança e anunciar a novidade.
Para que o serviço entre em funcionamento basta a contratação de um psiquiatra e um psicólogo, segundo informou Moraes Silva. Eu vim autorizado pelo secretário de Segurança Pública (Cândido Martins de Oliveira) a afirmar que Londrina terá o primeiro Serviço de Psiquiatria Forense do interior do Estado, disse.
Os nomes das pessoas a serem contratadas serão indicados pelo chefe do IML local, Antonio Carlos Queiroz. O atendimento será efetuado numa sala do órgão e deverá ser estendido à toda região. Além das perícias solicitadas pela Justiça para averiguar casos de dependência toxicológica, o serviço também fará as perícias cíveis em casos de pedido de interdição de direitos (ações que pretendem impossibilitar uma pessoa de gerenciar seus bens).
A notícia foi bem recebida. O promotor de Defesa dos Direitos e Garantias Constitucionais, Paulo Tavares, ressaltou que será bom para a Justiça a criação do Serviço. Mas não podemos encarar isso como um favor para Londrina. É uma obrigação do Estado e já vem tarde, assim como é obrigação do Estado acelerar as obras da Cadeia Pública, observou.
Paulo WolfgangMoraes Silva: Crise financeira não vai impedir contratação de profissionaisPaulo Tavares voltou a lembrar que muitos réus já foram libertados por falta de exames de dependência toxicológica. Cada processo criminal tem seu prazo para ser concluído e o acusado acaba sendo liberado, pondo abaixo todo o trabalho da polícia e da Justiça.
O presidente do Conselho de Segurança, Jorge Coimbra, que acompanhou a visita de Moraes Silva, também está esperançoso com o novo serviço. Essa é uma luta que travamos há muitos anos. Antes os exames eram feitos em Curitiba, o que beneficiava apenas os traficantes.
O diretor-geral do IML assegurou que a crise financeira que afeta também o instituto não irá impedir a contratação dos profissionais necessários para colocar o serviço em funcionamento. Segundo ele, os cargos são considerados de confiança, facilitando a liberação dos recursos.
Uma das dificuldades porque passam os IMLs no Estado, no momento, é falta de liberação de recursos para o pagamentos das empresas responsáveis pela limpeza dos institutos, que não recebem há três meses. Soube disso hoje. Essas despesas têm que passar pelo Crafe (Conselho de Reestruturação e Ajuste Fiscal do Estado) e sofrem atrasos.
Moraes Silva, que gosta de dizer que é o diretor do IML que mais veio a Londrina até hoje - até já perdi as contas de quantas viagens já fiz para cá - comentou que a crise não é só do Paraná e que os dirigentes têm que ser criativos. Em Curitiba, instituímos o Kit IML, trocando as penas menores por doações de materiais ao instituto, exemplificou.Paulo WolfgangAnúncioO diretor-geral do IML (centro), que esteve reunido ontem com juízes e promotoresBenê Bianchi





