O alto índice de violência cada vez mais visível e próximo das pessoas tem preocupado o Ministério da Saúde (MS) e a sociedade. O assunto, que é tratado como um problema de saúde, foi abordado ontem durante palestra realizada pelo coordenador da Rede Municipal de Proteção de Crianças e Adolescentes em Situação de Risco, o pediatra e médico de adolescentes, Renato Moriya. Ele falou durante o ciclo de palestras que comemorou os cinco anos de atividades da Policlínica Municipal.
Pelo menos 80% dos casos de agressão acontecem dentro de casa, com pessoas próximas da vítima. ''Precisamos entender que a agressão e a violência não são apenas casos de polícia, de segurança ou um problema social. É um caso de saúde pública, já que causa impactos de ordem física, emocional e psiquiátrica'' , explica Moriya. Na forma aguda, segundo o especialista, as consequências da violência são uma gravidez, doenças sexualmente transmissíveis (DST) e a delinquência. ''Na maior parte dos casos, as drogas e o álcool são os grandes facilitadores e libertadores de atitudes agressivas.''
Desde 2004 o Ministério incentiva a implantação de Núcleos de Prevenção às Violências e Acidentes e Promoção da Saúde e Cultura da Paz. Um projeto de lei tramina na Câmara Municipal para criar o Núcleo de Londrina, que pretende realizar um trabalho articulado, capacitando profissionais e atendendo crianças, adolescentes, mulheres e idosos. ''Estamos no processo de implantação do Núcleo, capacitando profissionais que vão aprender a identificar os problemas de violência'', explicou. Os casos serão avalidados nas próprias unidades de saúde.
Um projeto piloto já funciona na Zona Oeste, nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) dos jardins Santiago, Leonor e Sol. O bairro foi escolhido porque nele as unidades básicas funcionam 24 horas por dia.
A intenção com a implantação do Núcleo, segundo Moriya, é prestar um atendimento completo para a família. ''Hoje a sociedade está muito individualista e o Núcleo pretende dar um atendimento completo em todos os setores, prevenindo os casos de agressão'', explica.
O trabalho vai servir também para levantar os números de casos de agressão. ''Não temos dados muito concretos e um dos objetivos é formar esse banco de dados, para intervir pontualmente no problema.''. O especilista acredita que com a criação do Núcleo o número de denúncias aumentará. ''À medida em que a população é alertada, vê o problema na mídia e percebe que os casos são apurados e encaminhados, terá mais segurança para fazer a denúncia.''

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