''O bebê temporão, tão esperado por todos, tinha um defeito de fabricação. Foi assim que expliquei aos meus dois filhos maiores. A mãe só chorava e o pai ficou mudo e começou a trabalhar além do seu horário normal. Amigos e familiares pouco apareciam e quando o faziam não conversavam sobre o assunto.'' Assim a doutora em Enfermagem Maria do Carmo Lourenço Haddad descreve o momento em que descobriu que o caçula Elias tinha Síndrome de Down.
''Por um ano, a fisioterapeuta foi nossa luz no fim do túnel'', relembra a mãe, que redescobriu a alegria de viver ao encontrar na terapeuta ocupacional Maria Madalena Moraes Sant'Anna ''uma parceira fiel em todas as dificuldades''.
Uma das muitas atividades que a terapia ocupacional realiza até hoje, de extrema importância, é ir à frente. Ela faz o primeiro contato com a escola, a natação, o kumon, a fonoaudióloga e permite que os pais não passem por situações desagradáveis e discriminatórias. ''Eu tenho um 'anjo bom' que cuida e acompanha o Elias em todas as suas atividades terapêuticas e escolares, o que permite a mim, meu marido e meus outros filhos desenvolvermos nossas atividades profissionais e culturais sem restrições'', resume a mãe.
Além das conquistas diárias com seus pacientes, a terapeuta Maria Madalena comemora a criação do segundo curso de pós-graduação lato senso em Terapia Ocupacional (TO) do País, o primeiro do Paraná, que terá início em 21 de agosto, na Universidade Norte do Paraná (Unopar), em Londrina, e será voltado exclusivamente para terapeutas ocupacionais.
''Existe muita demanda, mas faltam profissionais qualificados no Paraná'', justifica Maria Madalena, ressaltando que, hoje, os terapeutas que atuam no Estado vêm de São Paulo e os que se formam em Curitiba optam por permanecer na Capital.
''É preciso qualificar o terapeuta ocupacional que já trabalha e explicar para a população o que é e qual a importância da profissão'', reforça Maria Madalena. Segundo ela, Londrina conta com apenas três consultórios e cerca de 30 terapeutas se revezam para atuar em todo o Norte paranaense.
Ela explica que o terapeuta ocupacional trabalha na inclusão social de indivíduos que sofrem de alguma patologia, atuando em hospitais, instituições, grupos sociais e consultórios, tratando deficiências intelectuais ou sensoriais e doenças psíquicas.
''Trabalhamos em parceria com fisioterapeutas, psicólogos e assistentes sociais, especificamente no desempenho ocupacional do cidadão, como atividades diárias e até inclusão do portador de patologia no mercado de trabalho'', assinala a terapeuta, informando que a TO existe como graduação no País há 50 anos, mas apenas duas universidades públicas oferecem o curso. ''No âmbito privado a graduação não se mantém.''
Serviço - Mais informações sobre o curso de pós-graduação em Terapia Ocupacional da Unopar pelos fones (43) 3371-7809, 3371-7810, 3371-7806 ou pelo e-mail [email protected]

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