O Centro de Estudos e Tratamento da Sexualidade de Londrina pretende criar a primeira clínica especializada em operações transexuais do Paraná. Ontem, o diretor do centro, o cirurgião vascular Márcio Dantas de Menezes, esteve reunido com a vice-governadora Emília Belinati, em Curitiba, em busca de verbas para realização de cirurgias de feminilização ou masculinização, voltadas a pessoas carentes. ‘‘Segundo o Conselho Federal de Medicina, existe um caso de transexualismo a cada 40 mil homens e 80 mil mulheres’’, diz. Atualmente, esse tipo de operação é realizado apenas na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas, São Paulo), em caráter experimental e em ambiente acadêmico.
Menezes explica que o transexual é a pessoa que tem um determinado sexo, mas sente-se como se fosse de outro. ‘‘É como o paciente tivesse alma feminina presa dentro de um corpo masculino ou vice-versa’’, ilustra. O médico adverte que é preciso diferenciar o transexual do travesti. ‘‘O travesti é aquele que pretende ser mulher, o transexual sente-se mulher’’, acrescenta a sexóloga Regina Teixeira, diretor do Centro de Sexualidade da Universidade Tuiuti. ‘‘Por causa dessa diferenciação muitos médicos não sabem como lidar com esse tipo de paciente’’, acrescenta Menezes.
O médico informa que a clínica de Londrina deverá ser gerida pela Fundação Latinoamericana de Disfunção Sexual. ‘‘Esta fundação vai criar o Comitê Atendimento de Disfunção Sexual, que será formado por uma equipe multidisciplinar, composta por especialistas em angiologia, psiquiatria, psicologia clínica e, também, em cirurgias vascular e plástica’’, informa. Uma das intenções do Centro de Londrina é trocar experiências com a Universidade Tuiuti. ‘‘A Tuiuti e a Fundação Gama Filho, no Rio de Janeiro, são as duas entidades aptas a realizar o diagnóstico da personalidade sexual nos casos de transexualismo’’, afirma Regina Teixeira.
Nos últimos quatro anos, foram realizados no Paraná 28 diagnósticos de identificação da sexualidade - 20 em crianças e oito em adultos, todos encaminhados para tratamento em São Paulo, pela Unicamp. ‘‘Este número de atendimentos ainda é tímido, porque a maioria das pessoas não sabem o que fazer nestes casos, preferindo o isolamento dos pacientes’’, fala.
Seminário - De 20 a 31 de outubro, Londrina vai sediar o 2º Encontro de Disfunção Erétil do Mercosul, 1º Congresso Brasileiro de Disfunção Sexual e 1ª Reunião Brasileira sobre Transexualismo. Durante o encontro, será executada a primeira cirurgia desse tipo, transmitida ao vivo para Buenos Aires.Centro de Estudos e Tratamento da Sexualidade de Londrina deve ser o primeiro fora de São Paulo a fazer a cirurgia no País

Albari RosaDúvidaMenezes: ‘‘Muitos médicos não sabem como lidar com esse paciente’’No Brasil, existe um
caso de transexualismo
a cada 40 mil homens
e 80 mil mulheres

mockup