Londrina tenta evitar demolição de torre
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quinta-feira, 23 de agosto de 2001
Chiara Papali<BR>De Londrina 
A decisão da Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero) de demolir a antiga torre de controle de vôos do Aeroporto de Londrina, prevista no projeto de reforma do terminal com a construção de uma nova torre, surpreendeu a gerente de patrimônio histórico e cultural da Secretaria Municipal de Cultura, Vanda de Moraes. Ela ficou sabendo da demolição através da Folha e disse que vai encaminhar à Infraero documento solicitando a reavaliação do projeto.
''É mais uma perda para o município, do ponto de vista histórico e arquitetônico, já que para a época da construção o projeto tinha um desenho arrojado. A torre e o próprio aeroporto são considerados um marco de progresso da cidade, quando o comércio de café explodiu na região. É uma pena que quando se formula um projeto de ampliação não haja sensibilidade para preservar a história'', afirmou Vanda de Moraes.
O aeroporto, inaugurado em 8 de abril de 1956 quando era prefeito de Londrina Antonio Fernandes Sobrinho, foi considerado por dez anos o terceiro do Brasil em movimento de aviões, só ficando atrás do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, e do Santos Dumont, no Rio de Janeiro. Em julho de 1959, Londrina registrou pico de movimento com uma média de 125 pousos e decolagens por dia de táxis aéreos e aviões particulares, sem contar os vôos regulares.
''Era a época que o dinheiro corria solto, por causa do café. Londrina ficou famosa no Brasil inteiro por causa de duas coisas, a zona de meretrício e o aeroporto'', relembrou Dikran Balikian, de 68 anos, que trabalha no aeroporto há 45 anos. Para ele, a antiga torre já cumpriu sua função. ''Dá uma pontinha de nostalgia, mas o que passou, passou. Hoje as pessoas não ligam para o passado'', disse, relembrando do tempo em que usava avião para ir até cidades como Apucarana, Jacarezinho, Arapongas e Maringá, já que não havia estradas ou eram de terra e difíceis de transitar.
O secretário de Cultura de Londrina, Bernardo Pelegrini, também considerou a demolição da torre uma perda. ''É um pedaço da história de Londrina e todos os esforços para sua preservação são bem-vindos'', afirmou. De acordo com Vanda de Moraes, a Secretaria de Cultura vai tentar reverter a demolição. ''Em última instância, se não houver acordo, vamos solicitar um registro adequado do patrimônio, com fotos e resgate de plantas do projeto'', disse.
Segundo a superintendente da Infraero em Londrina, Rosemayre Melhorquim Ferreira Correia, a torre é um obstáculo para a ampliação do terminal de passageiros, dos atuais 1,9 mil metros quadrados para 4,5 mil metros quadrados. ''É um patrimônio, mas a ampliação do terminal será um grande benefício'', afirmou Rosemayre. A transferência de atividades de uma torre para outra será gradativa, para garantir a operação das aeronaves, deve começar em dezembro e ser concluída até janeiro.


