Mais prazo e compreensão é o que a Prefeitura de Londrina vai pedir à Companhia Paranaense de Energia (Copel) para que não sejam cortadas as ligações clandestinas de luz (‘‘gatos’’) em assentamentos e favelas da cidade. Ontem venceu o prazo de 60 dias acordado em reunião entre a Copel, Companhia de Habitação de Londrina (Cohab), Secretaria de Ação Social, Polícia Civil e Promotoria de Defesa dos Direitos Constitucionais, para que o problema fosse resolvido.
Durante esse período a Copel se comprometeu a não desligar os gatos e a prefeitura a regularizar as invasões e ocupações. ‘‘A gente gostaria que a Copel entendesse que não é possível regularizar a moradia de mais de 46 mil pessoas num prazo desses. Por que cortar isso agora se não foi feito nada há quatro, cinco anos?’’, questionou Carlos Eduardo Afonseca e Silva, presidente da Cohab.
De acordo com o promotor de Defesa dos Direitos Constitucionais, Paulo Tavares, o prazo previsto era para que a prefeitura se manifestasse sobre o assunto e definisse a maneira de resolver o problema. ‘‘O que o Ministério Público espera é que a Copel utilize o bom senso nesse momento e não tome medidas drásticas, as soluções estão sendo encaminhadas’’, disse. Ele se refere a viabilização de recurso para projetos de urbanização junto ao programa Habitar Brasil, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (Bid), que pode chegar a R$ 3 milhões. Segundo Afonseca e Silva, as negociações estão em ‘‘fase avançada’’.
Ontem, uma comissão de moradores da ocupação do Jardim Monte Cristo (região leste) esteve com o prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), para solicitar sua intervenção junto a Copel. ‘‘Viemos pedir ao prefeito para não deixar cortar a luz e a água, os dois são clandestinos. Se tirar a luz do pessoal, vai começar o uso de vela, e aí começa o perigo de acidentes’’, afirmou Walter Marins, um dos moradores. A comissão saiu do gabinete do prefeito com a garantia de que os cortes não serão feitos. ‘‘Não cabe fazer esse corte agora, é uma questão de qualidade de vida’’, afirmou Micheleti.
No Jardim Monte Cristo, onde vivem cerca de 600 famílias, estão concentradas a maioria das ligações clandestinas de Londrina. Em toda a cidade, pelo menos mil famílias de baixa renda utilizam ‘‘rabichos’’ para ter luz em suas casas, em locais como Jardim União da Vitória, Jardim Maracanã, Favela Quati, fundo de vale do Conjunto Aquiles Stenghel, e entre os conjuntos João Paz e Farid Libos. A Copel informa que além do prejuízo, que fica entre R$ 50 mil e R$ 100 mil ao mês, os rabichos trazem risco de incêndio, curto-circuito e de ‘‘apagões’’ na rede.
Ontem, o superintendente regional da Copel em Londrina, Elsson Marcos Spigolon, não quis dar entrevista sobre o assunto, alegando que ‘‘não havia novidades’’. De acordo com o presidente da Cohab, Afonseca e Silva, ainda não há informação de cortes.

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