Os londrinenses que precisaram de atendimento de emergência ontem encontraram hospitais lotados, com médicos e enfermeiros correndo e até improvisando para dar conta de atender a todos. Mesmo com a situação de falta de leitos, principalmente nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), não sendo novidade, o domingo foi considerado crítico.
A grande procura por atendimentos se refletiu no trabalho do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Até as primeiras horas da tarde, as ambulâncias do Samu já tinham sido acionadas mais de 100 vezes. ''Em todos os hospitais que chegamos recebemos a informação de que não havia vagas. Às vezes temos que forçar a entrada. Tivemos que utilizar até os hospitais das cidades vizinhas, já levamos um paciente para Cambé e outro para Ibiporã'', queixou-se o médico intensivista do Samu, Eduardo Capela.
Segundo ele, esta época de inverno se caracteriza pelo aumento de problemas respiratórios, que atingem principalmente crianças e idosos, porém houve também um aumento no registro de casos de paradas cardíacas e acidentes vasculares cerebrais (AVCs), o popular derrame. ''Faltam vagas para os pacientes mais graves. Tem paciente no Hospital Zona Norte (HZN) que devia estar em um hospital terciário, que tem mais recursos. Para se ter uma idéia, nos hospitais secundários só vamos encontrar aparelhos de Raio-X no Hospital Zona Sul (HZS)'', informou.
A FOLHA esteve no HZN, onde várias pessoas aguardavam, na porta, a vez de ser atendidas. No entanto, alegando excesso de serviço, ninguém da instituição quis conceder entrevista. Nas paredes, cartazes informavam que realmente o hospital está com o Raio-X quebrado.
Já no HZS, a entrada da reportagem foi permitida. As cenas, das mais tristes. Três pacientes que deviam estar em quartos aguardavam em macas nos corredores. Entre eles, uma senhora com pneumonia. Uma outra paciente, que devia estar em uma UTI, fora entubada provisoriamente e estava ''internada'' na sala de emergência. Não foram autorizadas fotografias no interior do hospital e nem entrevistas com familiares de pacientes.
Tão triste quanto a cena de pacientes internados de forma provisória é o depoimento de funcionários do hospital. Vendo doentes insistirem por atendimento, eles só podem orientar e pedir paciência. ''Se chegar alguém enfartado, não temos onde colocar. Passei o dia todo rezando para que nenhuma pessoa em estado grave aparecesse por aqui. A pior coisa que existe é ter que dizer para uma pessoa que não vamos poder ajudá-la'', lamentou a supervisora do pronto-socorro (PS) do HZS, Tatiana Perazzolo.
No Hospital Evangélico, o PS também estava lotado, de acordo com a assessoria de imprensa da instituição, porém os pacientes graves não estavam sendo dispensados. Na Santa Casa, a situação era tão séria que as 36 vagas de UTI estavam ocupadas e dois leitos extras de terapia intensiva foram montados na sala de emergência, que abrigava ainda outros dois pacientes em situação de internamento.
No Hospital Universitário (HU), o PS passa por reformas desde o dia 2. Cartazes e panfletos indicam que somente pacientes encaminhados receberão atendimento. Segundo o enfermeiro Sandro Aparecido Casu, no início da noite de ontem, todos os 15 leitos para atendimento rotativo estavam ocupados e um paciente em estado grave recebia socorro na sala de emergência. ''Temos condições de atender o Samu, por exemplo, mas precisamos ser comunicados previamente para poder receber o paciente'', relatou.

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