Londrina está vivendo o primeiro surto de meningite viral infantil desde novembro de 1998. Naquele ano, o Hospital Infantil ficou isolado só para atender as centenas de casos. De 19 de novembro de 2001 até anteontem, apenas no Hospital Infantil foram registrados 38 casos de meningite. Deste total, 30 casos são do tipo viral, sete bacteriana e uma em recém-nascido (esta não é caracterizada por nenhum dos dois tipos).
Embora a quantidade de ocorrências seja grande, o surto já está controlado, de acordo com a diretora de Vigilância Epidemiológica e Meio Ambiente da Secretaria Municipal de Saúde, Rosângela Alvanhan. A doença teve seu pico no final de novembro do ano passado e durante o mês de dezembro. Nas últimas duas semanas, o número de casos começou a diminuir.
De acordo com o neuropediatra Efigênio Silvio de Castro Júnior, a meningite viral é a menos grave e não deixa sequelas. O surto de 1998 – que durou de novembro a fevereiro de 1999 – foi provocado, segundo a diretora da Vigilância Epidemiológica, por uma enterovirose que tem origem através de vírus intestinais. O vírus identificado foi o Echovírus 30.
A suspeita do surto atual é também de que tenha sido provocado por uma enterovirose. A Vigilância Epidemiológica aguarda laudo laboratorial do Rio de Janeiro (RJ), identificando qual o vírus do atual surto. Vários tipos de vírus podem provocar uma enterovirose.
A meningite viral, segundo Rosângela Alvanhan, é frequente durante todo o ano, com maior risco de surto no verão (novembro a março). Por se tratar de vírus intestinais, os enterovírus são transmitidos via fecal/oral.
As pessoas podem se contaminar ingerindo alimentos contaminados, pela água, na falta de higiene na utilização do vaso sanitário. ‘‘No verão as pessoas ficam mais expostas à contaminação fecal/oral’’, afirmou Rosângela Alvanhan.
Segundo a diretora da Vigilância Epidemiológica, 50% das pessoas que têm o vírus não possuem sintomas e podem transmitem a doença sem saber que estão infectadas. Uma enterovirose pode evoluir para meningite viral, paralisias, doenças cardíacas, dores musculares.
Alguns cuidados simples podem evitar uma enterovirose. Entre eles, manter o lixo bem tampado, deixar os ambientes bem arejados e desinfetar vasos sanitários, pias e bebedouros. É importante também manter os alimentos bem guardados, evitando moscas que podem transmitir algum enterovírus.
Quanto aos sintomas da meningite viral, os pais devem estar atentos para febres altas prolongadas sem origem aparente, para mudança de comportamento (como prostração e irritabilidade), além de vômitos.

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