Londrina tem risco de epidemia de dengue
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 26 de outubro de 2018
Pedro Marconi<br>Reportagem Local 
O quarto e último Liraa (Levantamento Rápido de Infestação do Aedes aegypti) de 2018 mostrou que Londrina está com índice de infestação predial de 5,4%, o que coloca a cidade em situação de risco de epidemia da dengue. Os dados foram apresentados nesta quinta-feira (25) pela secretaria municipal de Saúde. A OMS (Organização Mundial da Saúde) classifica como satisfatório índice abaixo de 1%. No caso de Londrina, o percentual é de estado de alerta.

Segundo o secretário de Saúde, Felippe Machado, o alto número é resultado das condições climáticas. "Avaliamos o resultado com preocupação, uma vez que este índice nos coloca em situação de risco iminente de uma possível epidemia de dengue. Precisamos registrar que, normalmente, nos últimos Liraas os índices são maiores em razão do clima que se apresenta nesta data, com calor e chuvas", justificou.
No total, foram inspecionados 9.942 imóveis entre os dias 15 e 19 de outubro. Em 507 deles foram encontrados focos do mosquito transmissor de dengue, zika vírus e febre chikungunya. Ou seja, a cada cem imóveis vistoriados, pouco mais de cinco estavam com foco do Aedes aegypti. Em comparação com o levantamento anterior, divulgado em julho, o índice mais do que triplicou. Levando em conta o mesmo período dos últimos quatro anos, é a segunda maior porcentagem para um levantamento realizado em outubro.
Apesar do aumento, Machado descartou a necessidade de retomar o trabalho com fumacê. "Todo Liraa trazemos um plano de ação, que será intensificado para que consigamos manter, dentro de um parâmetro aceitável, os casos de dengue. A principio não justifica fazer fumacê, já mutirões fazemos alguns, mas não aqueles a modo de tirar os lixos das casas das pessoas", explicou.
Do início de 2018 até agora foram notificados 2.219 casos de dengue em Londrina. Vinte e dois foram confirmados. Outros 222 estão em fase de andamento, com análises laboratoriais a serem concluídas. "Tivemos épocas no município com mais de cinco mil casos confirmados no mesmo período. É natural e normal que a população se descuide por conta desta tranquilidade aparente", considerou o secretário de Saúde.

LOCALIDADES
Mais de 70% dos focos do mosquito encontrados nos imóveis vistoriados no Liraa são provenientes de criadouros identificados em depósitos móveis, como vasos, pratos, frascos com plantas, bebedouros de animais, e também de lixo, incluindo recipientes plásticos, garrafas e latas. A região sul apresentou índice de infestação de 7,31%, seguida do centro (6,66%), norte (5,70%), oeste (4,74%) e leste (3,81%).
Já as localidades com maiores percentuais apurados foram o conjunto residencial Quati, na zona norte, e chácara São Miguel, na zona sul, ambos com 33%. "O que pudermos fazer com nossas equipes iremos fazer. Nos dez piores bairros já iniciamos trabalho, mas precisamos muito da companhia da população. Enquanto, individualmente, as pessoas não se conscientizarem e não eliminarem estes potenciais criadores de dentro de casa, nós não conseguiremos uma ação efetiva", alertou Sônia Fernandes, diretora de Vigilância em Saúde.

LIXO
Foi a primeira vez neste ano que o Quati apareceu entre as localidades com alto índice de infestação de Aedes aegypti no Liraa. Para os moradores da região, o problema está no fundo de vale situado na rua Edmur Elias Neder. "Tem muito lixo nesse terreno e quando chove o rio transborda e fica água parada. As casas estão tranquilas, mas este fundo de vale é um perigo, infelizmente. Nesta semana os agentes de endemias estiveram aqui e mostraram cinco recipientes que recolheram com mosquito da dengue", relatou a serviços gerais aposentada Tereza Jesus.
Além de restos de imóveis velhos, o local acumula lixo doméstico e material reciclado. Uma grande vala também está com volume considerável de água parada. "Nunca tive dengue e nem quero ter. Em casa cuido, evito até de ter planta para oferecer risco. Além disso estou sempre de olho no quintal, para não ficar água. Mas na frente da nossa casa temos esta situação incômoda", reclamou a dona de casa Sonia dos Santos.
TENDÊNCIA
A diretora de Vigilância em Saúde alertou que a tendência da infestação é piorar, já que a previsão é um verão quente e chuvoso. "Hoje não falamos só da dengue, temos também a chikungunya e o zika", alertou. Entre as recomendações estão avaliações no quintal ao menos duas vezes por semana, higienização do bebedouro do animal de estimação e colocação de areia nos vasos de plantas ou até mesmo retirada destes recipientes.


