Londrina tem manifestação atípica
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domingo, 07 de setembro de 2008
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
Londrina - Com 43 grupos desfilando (três faltaram), o desfile que marcou o dia da Independência do Brasil e encerrou a programação da Semana da Pátria em Londrina foi marcado pela variedade, incluindo alusões ao Centenário da Imigração Japonesa e às Olimpíadas.
Dos tradicionais grupamentos do Exército, polícias Civil, Militar e Rodoviária, e escolas públicas, a novidades como desfile de vans, de ônibus e até demonstração de cavalo-de-pau sobre duas rodas, o desfile, que teve duração de cerca de duas horas, foi encerrado por um grupo de carroceiros e cavalheiros que há sete anos consecutivos aparece no final sem avisar. ''Todo ano eles aparecem 'de surpresa', então a gente já esperava'', comentou um membro da organização.
Pelo menos quatro candidatos a prefeito e alguns a vereador aproveitaram a oportunidade para fazerem o corpo-a-corpo com os eleitores, mas de maneira bem discreta. Quem chamou a atenção foi o carro de som de outro candidato à Câmara, que se recusou a tirar o veículo da Avenida Leste-Oeste e só saiu depois da intervenção da Polícia Militar.
O patriotismo e o civismo, os dois principais conceitos que definem a Semana da Pátria, porém, não chegou a ser ofuscado. ''Tenho muito orgulho de ser brasileira e da minha cor, que não desbota'', afirmou Leonice dos Santos, 58 anos, que chegou com uma hora de antecedência para garantir um bom lugar e levou até banquinho para sentar.
''Desde pequeno meu pai me trazia para ver o desfile, hoje eu trago os meus filhos. Isso ajuda a criar um sentimento de civismo, para que eles tentem melhorar o país no futuro'', opinou Marciano de Souza Oliveira, 37, que se diz totalmente contra campanhas eleitorais em ocasiões como essa. ''Deveria haver um jeito de barrar os candidatos. Esse tipo de campanha não ganha meu voto. Muito pelo contrário'', garantiu.
Para José Soares Neto, 85, que integrou a Força Expedicionária Brasileira (FEB), o sentimento de patriotismo vem se perdendo com as novas gerações. ''Uma grande porcentagem dos jovens não sabe o verdadeiro significado da palavra patriotismo. Defendemos o País em terras estrangeiras, e sempre que libertávamos uma área colocávamos a nossa bandeira. A bandeira brasileira hasteada é a coisa mais linda que existe'', comentou.
''Toda a rede municipal, pelo menos uma vez por semana, põe seus alunos no pátio para hastear a bandeira e aprender a entoar o Hino Nacional. Essa preocupação com o civismo, a moral e a ética é apenas intensificada na Semana da Pátria'', garantiu a secretária municipal de Educação, Carmem Sposti, que representou o prefeito Nedson Micheleti.
Assistindo ao desfile pela primeira vez, Carlos Henrique Cerconi, 6, pediu à mãe que o levasse. ''Um amigo do meu pai é da polícia. Ele passou e eu dei tchau. Mas não gostaria de desfilar, dá vergonha'', contou.
Já o neto de Sueli Peres, Iago, 5, ganhou uma farda confeccionada pela avó e gostou de passear no meio da avenida. ''Com isso, com certeza ele vai ter mais orgulho de seu País'', comentou Sueli, sem querer justificando as participações inusitadas do desfile deste ano.


