O número de árvores na zona urbana de Londrina está longe do ideal. E o pior, a quantidade está diminuindo, uma vez que os plantios são mais raros que os cortes. A estimativa de ambientalistas de organizações não-governamentais da cidade é que de cada quatro árvores cortadas, legal ou irregularmente, apenas uma é replantada.
De acordo com projeção da ONG Tudo Verde, as ruas, avenidas e margens de fundos de vale da cidade contariam com cerca de 90 mil árvores. Número distante do ideal para a garantia da qualidade de vida na área urbana, na opinião do coordenador Pablo Melo. Para ele, os municípios deveriam ter, no mínimo, uma árvore por habitante. Só que hoje Londrina teria uma árvore para cada grupo de 5,5 pessoas.
Considerada a cidade mais arborizada do País, João Pessoa (PB) tem índice de 54,7 árvores por habitante. A conta inclui áreas de Mata Atlântica e os números estão disponíveis no site Rank Brasil. No Paraná, o maior exemplo é Maringá, com uma árvore a cada 2,5 habitantes, de acordo com dados constantes no site da Prefeitura da cidade, sem contar o Parque do Ingá e outros locais de preservação. A consequência da arborização mais efetiva é, segundo Melo, maior qualidade de vida. ''É um fator de bem-estar. Quem é rico investe em equipamentos de ar-condicionado. Mas como ficam os 60% da população de Londrina que vive com dois salários mínimos?''
Para ele, a proporção de uma árvore por habitante é suficiente para reduzir a temperatura e tornar o ambiente mais agradável. O problema é que o município estaria andando na contra-mão da preservação do meio ambiente. Através de pesquisa de campo e análise de documentos do poder público, a Tudo Verde chegou à conclusão que o número de árvores está diminuindo, uma vez que de cada quatro árvores cortadas, legal ou irregularmente, apenas uma é replantada.
Ambientalistas e poder público concordam num ponto: a importância do Plano Diretor de de Arborização. O projeto, que está em fase de confecção pela Secretaria Municipal do Ambiente, vai disciplinar os tipos de árvores que devem ser plantadas em cada área, entre outras regras e indicação de técnicas de plantio e manejo.
Enquanto o plano não fica pronto, o morador interessado em orientações pode entrar em contato com o poder público, o Conselho Municipal do Meio Ambiente e as ONGs. A falta de exemplares nas calçadas fica clara, na visão do coordenador da ONG Meio Ambiente Equilibrado, Carlos Levy, nos detalhes do dia-a-dia. Um exemplo é a postura dos motoristas, que disputam lugar sob as sombras das árvores em meio a congestionamentos.
''A falta de arborização em quantidade adequada acarreta, por exemplo, em uso mais frequente de ar-condicionado. O ideal seria que não existisse calçada sem árvore'', opina. Para ele, o número insuficiente de árvores é visível. E com o aumento da temperatura do planeta, Londrina deveria estar aumentando o ritmo de plantios. ''O cidadão comum pode plantar as mudas na frente de sua casa e exigir que o poder público faça a parte dele'', acrescenta o advogado.

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