Londrina tem focos de lagarta de fogo
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segunda-feira, 02 de abril de 2001
Silvana LeãoDe Londrina 
Dois focos da lagarta Lonomia obriqua, cujo contato com a pele pode levar à morte, foram encontrados nos últimos dias em Londrina. O proprietário de uma chácara localizada nas proximidades do Conjunto Vivendas do Arvoredo (zona sul) encontrou o primeiro foco na sexta-feira. Ontem uma equipe de técnicos do setor de epidemiologia da 17ª Regional de Saúde e biólogos do Laboratório de Entomologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL) identificou mais um foco, na mesma propriedade.
Segundo o professor José Lopes, do Departamento de Biologia Animal e Vegetal da UEL, é a primeira vez que a lagarta é identificada na cidade. O professor explica que a espécie está distribuída pelo México e América do Sul. No Brasil, as maiores densidades foram registradas no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. No Paraná, este tipo de lagarta apareceu nos últimos cinco anos. Dois focos foram localizados em Tamarana nos anos de 97 e 98, chegando a causar a morte de uma criança. Em 99, novo registro foi feito em Rolândia.
Também conhecida como lagarta de fogo, a espécie tem o corpo recoberto de cerdas ramificadas e apresenta tonalidade castanha-clara, meio esverdeada, que pode ser confundida com musgos que nascem nos troncos das árvores. As lagartas têm hábitos noturnos, e se alimentam de vários tipos de folhas, acima de tudo as de árvores frutíferas, explica Lopes.
Durante o dia, as taturanas descem para o tronco das árvores e ali ficam paradas, camufladas e agregadas como se fossem uma mancha da árvore. De acordo com o professor, o fato de ficarem muito juntas aumenta o perigo. Ao tocar na mancha, a pessoa acaba tocando em várias lagartas, ampliando os riscos de envenenamento.
O veneno é injetado na pele da vítima através das cerdas que recobrem o corpo da espécie. Imediatamente aparece uma mancha vermelha no local, acompanhada de forte dor e ardência. O quadro pode evoluir para edemas, com intenso mal-estar, náuseas, vômito e, nas pessoas mais sensíveis, síndrome hemorrágica, que leva ao óbito. O veneno da Lonomia tem poder anticoagulante. Os sangramentos podem ocorrer pelas narinas, gengivas, eventuais lesões na pele e, nas mulheres, pode ocorrer até hemorragia uterina. Também pode causar insuficiência renal, explica Lopes. Ainda segundo o professor, 30% dos casos de envenenamento terminam em morte.
Há um ano e meio estamos monitorando a espécie em Tamarana, com armadilhas de luz. Constatamos que a época de maior incidência na região é esta entre o final de verão e início de outono, afirma José Lopes. O professor recomenda que em casos de suspeita da presença da lagarta, seja feito contato imediato com a 17ª Regional de Saúde, pelo telefone (43) 329-5600, ramais 228 e 229; Fundação Nacional de Sa© úde (324-8436, ramal 27); ou com os biólogos da UEL (371-4666).
O Hospital Universitário (HU) de Londrina mantém o Centro de Controle de Intoxicações (CCI), que funciona 24 horas por dia e pode fornecer o soro para o veneno liberado pela lagarta. O telefone do CCI é 371-2244.


