O número de farmácias em Londrina é cinco vezes maior do que o número determinado pelo Organização Mundial de Saúde (OMS). Há na cidade um total de 210 farmácias, o que significa que existe uma farmácia para cada 2 mil habitantes. A OMS recomenda uma farmácia para cada 10 mil pessoas.
A presidente do Conselho Regional de Farmácia do Paraná (CRF/PR), Célia Fagundes da Cruz, disse que o número excessivo de farmácias prejudica a população. ''Isso é um fator negativo para a saúde das pessoas porque aumenta a concorrência e incentiva a ''empurroterapia''(indução ao consumo de remédio sem receita médica)'', disse.
Célia ressalta que a falta de uma lei de zoneamento que restrinja a abertura de farmácias piora ainda mais a situação. ''Infelizmente, quem paga por isso é a população. Medicamento não é uma mercadoria que pode ser vendida em qualquer esquina'', afirmou. Ela participou na semana passada de um encontro do Conselho realizado no Crystal Palace Hotel que contou com a presença de 150 farmacêuticos. Representantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Secretaria Municipal de Saúde, CRF/PR, Conselho Federal de Farmácia e Associação Médica de Londrina realizaram uma mesa-redonda com o tema ''Acesso ao medicamento com qualidade nos países subdesenvolvidos''.
O secretário municipal de Saúde, Silvio Fernandes, ressaltou que cerca de 70% da população brasileira não tem acesso a medicamentos. ''Essa parcela da população vive abaixo da linha da pobreza e por isso não tem como comprar remédios. O poder público precisa oferecer pelo menos os medicamentos de uso continuado. Os remédios de última geração, por exemplo, são caros e não são oferecidos pelo governo'', disse.
A presidente do CRF/PR destacou que existe muita deficiência na distribuição, qualidade e uso de medicamentos. Ela lembrou que é obrigatório que toda farmácia tenha, por exemplo, medicamentos genéricos, que são mais baratos. ''Mas não existe fiscalização por parte da Vigilância Sanitária'', frisou Célia.
Ela também disse que o Conselho vem exigindo que a Secretaria Municipal de Saúde tenha farmacêuticos nos postos de distribuição de medicamentos. ''Na última vez que estivemos reunidos com o secretário demos um prazo de 30 dias para que ele nos apresentasse propostas. ô fundamental a presença desses profissionais nos postos porque a população precisa ser orientada sobre os medicamentos que está consumindo'', afirmou.
Segundo ela, a administração do ex-prefeito Antonio Belinati foi autuada e multada várias vezes pelo Conselho por causa da falta de farmacêuticos nos postos. O secretário Silvio Fernandes informou que a secretaria está viabilizando a contratação de um farmacêutico. ''Temos mais dois ou três que atuam nos postos. É inviável a presença de farmacêuticos em todos os postos que tenham farmácia básica. Não tem sentido'', disse. Cada multa pela falta de farmacêutico é de aproximadamente R$ 100,00. Este valor dobra quando a autuação é reincidente.

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