A corrida por EPI (Equipamentos de Proteção Individual) em todo o mundo gerou escassez de produtos no mercado e acelerou os processos de aquisição dos municípios. Em Londrina, a estratégia foi utilizar o processo de compras emergenciais para garantir um estoque de segurança para pelos menos 60 dias, em cenário de agravamento da a doença, ou para até 120 dias, em situação controlada. Foram investidos R$ 4,7 milhões em equipamentos que vão desde máscaras, álcool em gel, aventais a circuitos respiradores e locações de monitores multiparamétricos.

Foram investidos R$ 4,7 milhões em equipamentos que vão desde máscaras, álcool em gel, aventais a circuitos respiradores e locações de monitores multiparamétricos
Foram investidos R$ 4,7 milhões em equipamentos que vão desde máscaras, álcool em gel, aventais a circuitos respiradores e locações de monitores multiparamétricos | Foto: Lais Taine - Grupo Folha

Os produtos foram adquiridos em 40 dias e estão estocados em pontos monitorados, sob vigilância da Guarda Municipal. O secretário municipal de Gestão Pública, Fábio Cavazotti, comenta que o estoque permite ter maior domínio e poder de negociação sobre as próximas compras. “Todos os municípios procurando os mesmos produtos, no mesmo momento, em um mercado escasso, nós ficamos muito na mão do mercado. Formando esse estoque, agora temos mais tempo, mais prazo, mais possibilidade de fazer compras melhores”, aponta.

40 COTAÇÕES

O processo de compras emergenciais dispensa licitação, porém, o secretário afirma que nesse momento de pandemia foi necessário analisar o mercado para compras seguras, com valores e prazos compatíveis. “As compras realizadas para o enfrentamento da Covid-19 tiveram pesquisa de mercado muito maior que as feitas usualmente. A gente fez de 20 a 30 orçamentos, tivemos produtos que chegaram a 40 cotações. Pesquisamos mais de 500 empresas nesses 40 dias de trabalho”, afirma. “Já estamos retomando os processos licitatórios para reposição desses itens para não ser feito mais pelas compras emergenciais”, acrescenta.

Cavazotti apontou que o produto de maior escassez – e também o mais consumido pelos profissionais de saúde - foi a máscara tripla cirúrgica, em que Londrina atingiu um cenário apertado do produto, com estoque para apenas três ou quatro dias, até o recebimento de um novo lote por meio de uma apreensão realizada pelo Gaeco (Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado). Atualmente, a cidade conta com mais de 400 mil máscaras cirúrgicas em estoque.

Imagem ilustrativa da imagem Londrina tem estoque de EPI para pelo menos 60 dias
| Foto: Lais Taine - Grupo Folha

CENÁRIO

O secretário municipal de Saúde, Felippe Machado, explica que 95% do EPI são fabricados na China e que com a chegada do novo coronavírus na Europa e Estados Unidos, o mercado ficou ainda mais descontrolado. Com a formação do estoque, acredita que a cidade tem cenário mais confortável. "Significa um cenário de segurança e tranquilidade em especial as nosso servidores que são linha de frente a pandemia do novo coronavirus."

Um total de 18 variedades de itens compõem o estoque, entre eles, máscara cirúrgica, máscara N95, macacão de proteção impermeável, touca, avental, filtros para respirados e luvas. Em Londrina, oito unidades de saúde, entre UBS (Unidade Básica de Saúde), UPA (Unidade de Pronto Atendimento) e Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) receberão itens específicos no enfrentamento ao novo coronavírus.

TESTES

Além dos equipamentos de proteção, 4 mil testes PCR para uso da UEL (Universidade Estadual de Londrina) contemplam a lista. “Nós vamos ampliar o programa municipal de testagem, por meio do convênio com o laboratório do HU (Hospital Universitário), que está fazendo 200 testes por dia”, afirma o secretário. O prefeito Marcelo Belinati indicou a conquista da compra dos reagentes dos EUA para que os testes fossem realizados por meio da universidade.

Os produtos foram adquiridos em 40 dias e estão estocados em pontos monitorados, sob vigilância da Guarda Municipal
Os produtos foram adquiridos em 40 dias e estão estocados em pontos monitorados, sob vigilância da Guarda Municipal | Foto: Lais Taine - Grupo Folha

O prefeito explica que a formação do estoque é resultado de um trabalho iniciado antes de o vírus chegar à cidade. “Começou lá atrás, quando a pandemia ainda estava na Ásia, Europa, criamos o Coesp (Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública), vários grupos de trabalho, entre eles, o de compras. Então, com planejamento e organização, pudemos ter esse resultado de um estoque que, em situação grave daria para dois meses e estável para quatro meses”, defende.

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