Enquanto a população comemora a presença de mais policiais militares nas ruas, o efetivo da Polícia Civil (PC) segue desfalcado em Londrina. Atualmente, três delegados estão ausentes, em razão de licenças e férias. São afastamentos naturais em qualquer órgão público, mas cujo impacto é maior quando a equipe já é sobrecarregada.
No caso de Londrina, o número equivale a um quinto dos 14 delegados da PC. A delegada da Mulher, Paula Francinete, está em férias; o delegado do 6º Distrito Policial (DP), Algacir Ramos, responsável pela Zona Sul e toda a área rural da cidade, entrou em licença médica; o delegado José Arnaldo Peron Martins, que acumula o 1º Distrito Policial (Área Central) e a Delegacia de Trânsito, tirou três meses de licença-prêmio.
Para preencher as lacunas temporárias, foram feitos remanejamentos. O delegado-operacional Lanevilton Theodoro Moreira - que originalmente conduz investigações sobre furtos, roubos e casos mais complexos ou específicos - está acumulando também o 1º DP e o Trânsito. Coube ao delegado-adjunto da 10 Subdivisão Policial (SDP), Nelson Águila, responder interinamente pela Delegacia da Mulher. O outro delegado-operacional da subdivisão, Manoel Ângelo Pelisson, foi designado para cuidar do 6º DP.
Segundo Águila, os substitutos são orientados a priorizar flagrantes. É o que o próprio adjunto faz, corriqueiramente, quando o delegado de determinada unidade tira folga após um plantão. ''O escrivão me chama quando necessário e eu me desloco até lá'', explicou.
''Estamos com uma defasagem muito grande de efetivo na PC. A prova é que quando acontece de vários delegados tirarem férias ou licença ao mesmo tempo, o trabalho fica prejudicado'', comentou o presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Londrina e Região (Sindipol), Ademilson Batista, para quem o efetivo precisaria ser triplicado. ''Com o aumento do efetivo da PM e das prisões, automaticamente aumenta o trabalho da PC. Por isso, também precisamos de mais contratações em todas as nossas classes'', concluiu.
Questionado se o trabalho está prejudicado pela ausência dos titulares de três unidades, o delegado-chefe da 10 SDP, Sérgio Luiz Barroso, declarou apenas que ''é algo que temos que administrar''. ''O Estado não pode manter uma equipe só para cobrir férias e licenças, que são direitos dos policiais'', alegou. A expectativa de Barroso é de que pelo menos cinco delegados aprovados no último concurso venham para Londrina em 2008 e possam se revezar nos plantões. ''Isso já trará um bom alívio.''

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