Londrina tem déficit de 50 mil árvores
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segunda-feira, 04 de outubro de 2004
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
As ruas da Região Central de Londrina apresentam déficit de pelo menos 50 mil árvores. Sem contar áreas como fundos de vale e parques, a cidade têm aproximadamente 110 mil exemplares. O número ideal, de acordo com estimativas da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Sema), seria de 160 mil. A principal dificuldade para atingir a meta, segundo o diretor operacional Gérson Galdino, da gerência de áreas verdes e fiscalização da Sema, é o número de pedidos de erradicação, superior às solicitações de plantio.
Os dados mostram a falta de consciência ecológica de parte da população de Londrina. O resultado são vias urbanas importantes, como a Avenida Duque de Caxias e a Rua Sergipe, praticamente desarborizadas. Os maiores prejudicados são os pedestres, que sofrem com o sol e a ausência de sombra, principalmente nos dias mais quentes.
A ''sujeira'' provocada pelas folhas das árvores, a destruição de muros e calçadas pelas raízes e fachadas e propagandas escondidas pelas copas são algumas das justificativas para a erradicação das plantas. O trimestre de julho a setembro é a época campeã de pedidos de cortes de árvores. Os moradores e proprietários de estabelecimentos comerciais preocupam-se mais em manter as calçadas e quintais livres das folhas e esquecem dos benefícios proporcionados pelas sombras.
De acordo com dados da Secretaria de Meio Ambiente, a média histórica de pedidos de erradicação é de 350 a 500 plantas por mês. Em prazo semelhante, o número de solicitações de plantio não passa de 70. Apesar da redução na quantidade de autorizações para corte, o desequílibrio registrado ao longo dos anos resultou no déficit na arborização.
A falta de planejamento na construção da cidade é outro fator que dificulta a manutenção da arborização na Área Central. Com calçadas de 1,5 a dois metros, as árvores de maior porte destroem calçamentos e muros e obstruem a passagem com frequência. O ideal seria, a exemplo de cidades planejadas como Maringá, trechos com até cinco metros de largura.
Como grande parte dos pedidos de erradicação é negada, a média mensal é de 300 cortes, a maioria com reposição imediata de mudas. Segundo Galdino, pouco mais de um ano atrás este número era superior a 700 erradicações por mês. O problema é que cada árvore demora cerca de seis anos para prover sombra.
Para o diretor da Sema, falta conscientização sobre a importância de preservar a arborização urbana. ''A quantidade de pessoas que protegem a natureza segue a mesma proporação dos pedidos de corte e plantio. Nove para um'', compara.
Programas educacionais como o ''Escola Vai ao Parque'' buscam incutir consciência ecológica nas crianças. Um projeto de tombamento de dez exemplares de árvores está em fase de estudos na Secretaria do Meio Ambiente.
''A medida visa contribuir para o debate em torno da valorização da arborização urbana'', explicou o secretário municipal do Meio Ambiente, Dirceu Fumagali. Outra providência é a recuperação da capacidade de produção do viveiro municipal.


