Uma cidade de referência regional em medicina, mas que enfrenta graves problemas no setor da saúde pública. Este é o panorama atual de Londrina. Por um lado, possui índice de médicos por habitante praticamente igual à média nacional. Por outro, a falta de profissionais nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e o fechamento de prontos-socorros por superlotação são constantes.
A principal causa deste constraste é, de acordo com o presidente da Associação Médica de Londrina (AML), Aparecido José Andrade, o investimento público deficiente na área. ''É necessário aplicar mais dinheiro na saúde pública'', resume Andrade. Segundo ele, a falta de recursos prejudica o atendimento porque impede remuneração adequada para os profissionais, condições de trabalho ideal e resulta em atraso no pagamento de guias do SUS.
Para Andrade, o investimento é deficiente tanto na esfera federal quanto na estadual e municipal. A Contribuição Permanente sobre Movimentação Financeira (CPMF), criada com o intuito de incrementar os gastos públicos no setor, não teve a arrecadação destinada para a saúde pública. ''O desvio de finalidade foi confirmado pelo próprio ex-ministro Adib Jatene, em visita a Londrina dois ou três anos atrás'', conta o presidente da AML. A falta de dinheiro atinge a reciclagem de equipamentos e até a distribuição de medicamentos.
Com a falta de verbas, o salário pago aos médicos do setor público é defasado, de acordo com Andrade. A reivindicação da categoria é dobrar o piso, que hoje é de dez salários mínimos para vinte horas semanais. Outra dificuldade é o teto de repasses do SUS para os hospitais públicos e filantrópicos. A AML calcula que 25% dos procedimentos feitos pelas instituições de saúde não são pagos por ultrapassarem o limite do sistema único de saúde.
Apesar das dificuldades, Londrina permanece como centro de referência regional em diversas especialidades médicas. Esta condição, segundo médicos da cidade, é resultado do trabalho de profissionais pioneiros nas primeiras décadas de fundação de Londrina. Com isso, afirma Andrade, a iniciativa privada fica responsável por serviços que deveriam ser prestados pelo sistema público.

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