Londrina conta com uma biblioteca especializada em atender pessoas com deficiência visual no Instituto Londrinense de Instrução e Trabalho para Cegos (Ilitc). O acervo conta com itens em braile, letra ampliada, CDs, fitas cassete e tinta dedicados não só aos cegos, mas a quem tem visão subnormal e aos professores. Hoje, o Instituto abriga 147 alunos e pacientes da ala de saúde de todas as idades.
Montada com recursos do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), em 1994, a biblioteca do Ilitc reúne mais de mil livros, 400 fitas e 200 CDs, como calculou a bibliotecária Ivone Galante, que cuida do acervo desde 2005. ''São títulos de literatura, filosofia, didáticos e dicionários, como numa biblioteca pública, a diferença está no tamanho dos volumes que em braile são bem maiores.''
A biblioteca é privada e funciona num espaço do tamanho de uma sala de aula normal, com capacidade para até seis alunos, pois possui apenas uma mesa e algumas cadeiras. Muitos livros estão deslocados por falta de lugar nas prateleiras. A biblioteca conta ainda com um rádio e fones de ouvido para os alunos que preferem escutar os conteúdos à leitura em braile.
Os acervos em tinta e de áudio foram reunidos simultaneamente, lembrou a coordenadora do Ilitc, Ivone Gomes da Rocha. ''Começamos comprando livros de literatura para poder gravar a versão em áudio no nosso estúdio próprio'', contou Ivone, ressaltando que o estúdio funciona diariamente, com uma programação de gravação pré-determinada.
''Os voluntários cadastrados passam por uma entrevista na qual o técnico analisa o tom de voz e a velocidade de leitura. Depois é marcada a data da gravação'', explicou a coordenadora, assinalando que os livros em braile são adquiridos da Fundação Dorina Nowill para Cegos, de São Paulo, e do Instituto Benjamin Constant. Segundo a bibliotecária Ivone Galante, de 50 a 60 alunos estão cadastrados na biblioteca e a preferência é pelos livros de literatura, ''principalmente ficção'', comentou.
Michael Braz Veigas cursa o segundo ano de Direito e sua matéria favorita na faculdade é direito penal. Mesmo habilitado em braile, ele prefere usar seu MP4 para estudar e escolheu a biblioteca do Instituto como o refúgio, pelo silêncio. ''Em casa ninguém estuda, são muitas distrações'', brincou Michael.
Ele mesmo grava suas aulas para estudar depois. Quando o assunto é literatura, os livros ''polêmicos'', de conteúdo policial, são seus preferidos.
Serviço - O Instituto dos Cegos fica na Rua Netuno, 90, Jardim do Sol; fone (43) 3327-4330

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