No município de Londrina, há 400 poços artesianos perfurados sem a outorga do Instituto das Águas do Paraná. A informação é da gestora ambiental da Unidade de Serviço de Educação Ambiental (Usea) da Sanepar, Andréa Fontes. Segundo ela, a Sanepar utiliza os aquíferos Guarani e Serra Geral como complemento do abastecimento na região. Qualquer cidadão pode utilizar as águas dos lençóis subterrâneos, desde que tenha a outorga do instituto.
O diretor de Gestão de Bacias Hidrográficas do Instituto das Águas do Paraná, Everton Luiz da Costa Souza, acredita que a coordenadora da Sanepar tenha esses dados baseados na diminuição de vazão de água captada pela empresa. "Nós não temos essa informação. Seria interessante que a gente tivesse essas informações para inclusive notificar os donos desses poços para regularizá-los", destaca. Londrina tem 600 poços com outorga.
Segundo Andréa, 10% do abastecimento de Londrina são oriundos dos aquíferos Guarani e Serra Geral. A maioria dos poços artesianos perfurados em Londrina utiliza a água do Serra Geral por ser economicamente mais viável, uma vez que está em uma faixa situada entre 100 e 200 metros de profundidade. Já o Aquífero Guarani é atingido somente a 500 metros de profundidade.
O problema da exploração do Serra Geral é que muitas áreas de recarga estão com o solo cada vez mais impermeabilizado. Por isso, essa exploração sem o devido controle é motivo de preocupação para o gerente de hidrogeologia da Sanepar, João Horácio Pereira. "A Sanepar possui mil poços em operação em todo o Estado e faz o monitoramento de todos. É possível fazer uma gestão sustentável, não retirando mais do que a capacidade de recarga através das chuvas. Mas essa é uma preocupação que os demais usuários talvez não tenham", aponta.
Segundo Pereira, o armazenamento e a circulação da água no Serra Geral acontecem de forma heterogênea. "Perfurar um poço a dez metros do outro pode interferir em alguns casos", explica. Isso faz com que um poço diminua a vazão e o nível caia. "Para chegar à exaustão, um poço artesiano leva décadas, mas se não houver acompanhamento e fiscalização, essa superexploração pode causar problemas no futuro", analisa.
Souza salienta que essa não é uma questão local. A exploração sem outorga, diz, é um "problema sério" no Brasil e no mundo. "Hoje em dia, os equipamentos de perfuração podem fazer esse trabalho em 12 horas. A gente conta que haja uma consciência dos usuários de procurar o órgão gestor para fazer a regularização", declara. "Existe realmente um grande número de poços perfurados que não têm outorga e é necessário conhecer o universo todo para se fazer a gestão disso. A ampliação cada vez maior da fiscalização e da regularização desses poços é necessária", aponta.
No Estado de São Paulo, o uso indiscriminado das águas subterrâneas e a falta de controle para a perfuração dos poços artesianos já causou um rebaixamento do nível do Aquífero Guarani. Pereira aponta que no Paraná a maior parte do abastecimento é oriunda da captação do Rio Tibagi, enquanto Ribeirão Preto, por exemplo, que tem população quase semelhante a de Londrina, utiliza apenas o Guarani.
Em Londrina, os poços artesianos que mais utilizam a água do Serra Geral têm sido perfurados predominantemente por indústrias, hotéis, hospitais, condomínios e pela agricultura, para uso na irrigação.

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