Mais de 40 mil animais, entre cães, gatos e outros, vivem hoje nas ruas de Londrina. A estimativa é da ONG SOS Vida Animal, entidade formada por voluntários que prestam assistência a esses bichos abandonados. E, de quebra, tentam solucionar uma deficiência da administração municipal, que não conta com políticas voltadas para resolver esse problema crônico de saúde pública.
A Prefeitura já teve verba carimbada para construir um centro de zoonoses. O projeto arquitetônico chegou a ser apresentado publicamente, mas nunca saiu do papel.
Para a vice-presidente da ONG, Rachel Daher, a falta de iniciativas voltadas aos cuidados com os animais de rua é reflexo da ''negligência do Estado''. ''O centro de zoonoses é para tratar bichos e não para abrigar animais abandonados. O mais importante é trabalhar a educação entre a população e discutir a punição para quem abandona um animal na rua'', avalia.
Hoje, os animais de rua muitas vezes recebem algum tipo de cuidado dos voluntários de organizações não governamentais e dos chamados protetores individuais. Esses apaixonados por bichos mantêm uma rede de relacionamentos e cuidam atualmente de mais de 400 animais - a maioria cães e gatos.
Os protetores buscam tratar os animais doentes e castrar todos que são recolhidos, para só então colocá-los para adoção. ''É um trabalho árduo, mas adotar é uma maravilha, uma conquista. Esses animais resgatam o amor incondicional porque a vida não se vende, amigos não se compram'', salienta Rachel Daher.
A auxiliar de enfermagem Graziele Fogliene é uma dessas protetoras individuais. Ela mantém 13 animais em sua casa. ''Comecei há sete anos. O bicho que mais me marcou foi uma cadela da raça pitbull, que os donos ameaçaram sacrificá-la dizendo que ela havia matado os outros animais de casa. Adotei e não tive problema algum, pelo contrário, virou o xodó de casa'', relata.
Sete Vidas
Há quatro meses a ONG SOS Vida Animal conta com ajuda de outra entidade sem fins lucrativos, a Sete Vidas, que cuida de gatos. ''Há muito preconceito em relação aos gatos. A importância da Sete Vidas é conscientizar a população que o gato não é traiçoeiro, pelo contrário, é carinhoso e muito apegado ao dono'', argumenta a voluntária Layse Moraes.
A Sete Vidas faz um ''networking'' em redes sociais para conseguir doações. São 20 protetoras envolvidas no projeto. Só Lucimeire Fernandes mantém 80 gatos em casa. ''Antes conseguia criá-los, agora está difícil porque meu marido está doente e não consigo mais. Tem bastante gente solidária e vemos que muitos lutam pela causa'', salienta.

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