Londrina tem 300 pontos de transbordamento
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terça-feira, 23 de março de 2004
Fernanda Bressan<br>Reportagem Local 
A rede de esgoto em Londrina vem causando transtornos para a população. Sofre quem tem e que não tem acesso a ela. Uma reunião que será realizada hoje, a partir das 14 horas, na Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Sema), vai discutir um dos problemas enfrentados: o extravasamento do esgoto. Representantes vários órgãos ligados ao meio ambiente estarão presentes para formalizar um Termo de Ajuste de Conduta junto à Sanepar para resolver a questão. Segundo a Sanepar, 69% da população londrinense têm acesso ao tratamento de esgoto.
O assessor de recursos hídricos da Sema, João Batista Moreira Souza, afirmou que há na cidade 300 pontos que transbordam constantemente quando chove. Ele atribuiu a questão a duas situações principais: ligações irregulares e as tampas utilizadas pela Sanepar para cobrir os poços de visita. ''Eles (a Sanepar) fizeram um tipo de tampa que tem dois furos que permitem a entrada na rede de 25 a 35 litros de água por minuto quando está chovendo'', salientou.
Moradora da Vila Portuguesa (Área Central), Marlene da Silva Santos, 34 anos, é obrigada a conviver com o transbordamento constante do esgoto. No quintal de sua casa há um poço de visita da Sanepar (onde se coloca uma tampa no esgoto) e ela diz que toda vez que chove há um extravasamento que joga o esgoto por todo o quintal. ''É uma tristeza! O que dá de rato, barata e sujeira, é um cheiro insuportável. A Sanepar não faz nada'', reclamou. Nos fundos do quintal passa ainda o Córrego Bom retiro, um dos afluentes do Ribeirão Quati, que recebe o esgoto cada vez que chove.
Se não bastasse o odor indesejado, Marlene tem ainda outra preocupação, a transmissão de doenças. Ela disse que toda vez que chove tem de ''prender em casa'' seus três dos quatro filhos para evitar que as crianças tenham contato com o esgoto. ''Dou remédio de verme todo ano para meus filhos'', apontou. Segundo Marlene, ela convive com problema há dez anos.
Em um trecho da Rua Heron Domingues, no Jardim Interlagos (Zona Leste), o problema com o esgoto também é antiga. Seo Altamir Mirando Alves Silva, 66 anos, mora há 25 anos no local e até hoje não tem acesso à rede de esgoto.
Para piorar, a casa vizinha possui esgoto e sempre que chove há o problema do extravasamento. Na casa moram oito pessoas, sendo duas crianças. ''Não tenho mais onde furar fossa, agora vai é cair tudo para a rua e aí eu quero ver se alguém vai fazer alguma coisa'', desabafou Cíntia Nara Alves da Silva, 29 anos, filha de Altamir.
Ela relatou que a fossa que fica nos fundos da casa já está cheia. Para evitar acidentes com as crianças, Cíntiaela cobriu o local com uma piscina de fibra virada de ponta-cabeça. Outra fossa foi feita na frente da casa, que também está cheia. Na tentativa de tapar o buraco foram colocados pedaços de telha.
Cíntia afirmou que na Sanepar quiseram cobrar pelo serviço. Primeiro teriam pedido R$ 120 para ela e, depois de vistoriarem o local, o valor passou para R$ 2 mil para que a rede de esgoto fosse ligada no resto do quarteirão. ''Os R$ 120 estão guardados até hoje, mas não vou pagar o valor para todo mundo'', enfatizou a moradora do Jardim Interlagos.


