Londrina tem 163 postos irregulares de venda
Durante a pesquisa, o estudante Leonardo Borges entrevistou donos de videolocadoras e constatou um aumento acentuado no fechamento de estabelecimentos na cidade nos últimos quatro anos. Londrina tinha 200 locadoras, hoje são apenas 50. ''O fechamento das lojas não tem relação com o comportamento do comércio local e sim com a pirataria, já que o comércio formal cresceu no mesmo período'', explicou Leonardo.
Segundo ele, houve ainda queda no número de locações, principalmente nos últimos dois anos. ''Um amigo empresta o filme para o outro e a locadora não perde um, mas vários clientes de uma só vez.''
Ainda conforme Leonardo, Londrina tem hoje 163 postos de venda de DVDs piratas: são 45 ambulantes e 118 nos seis camelódromos da cidade. Oitenta e oito por cento dos filmes falsificados entram pela fronteira do Brasil com o Paraguai. ''Os produtos vêm da China e de outros países asiáticos e entram pelos portos secos, como o de Paranaguá, por exemplo, onde há um território paraguaio em solo brasileiro.''
Leonardo apurou que 2,2 milhões de empregos deixam de ser criados no Brasil em função da pirataria. Conforme dados da Associação Brasileira de Propriedade Intelectual, a principal causa da falta de crescimento da economia brasileira está na informalidade. ''No ano passado, o País deveria ter crescido 7%, mas cresceu apenas 5,4%'', informou o estudante, ressaltando que o Brasil é o quarto país no mundo no quesito combate ineficiente à pirataria. ''Só perdemos para China, Rússia e Índia.''
Prestes a realizar o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Helena (nome fictício), 23 anos, é daquelas que preferem alugar vídeos a ceder às vantagens da pirataria. ''Até hoje só comprei três DVDs piratas'', contou a jovem, que não costuma frequentar o camelódromo. Para ela, os camelôs representam uma concorrência desleal ao comércio formal, mas ela defende que existem assuntos mais importantes a serem discutidos do que a pirataria.
''Pirataria é crime e tem legislação própria. Acho que deveríamos discutir a superlotação das cadeias e a condição dos detentos nas prisões antes de dedicar tanto tempo a essa questão'', justificou.
Para ela, no entanto, Londrina não cresce tanto quanto poderia em função da informalidade. ''Hora o prefeito aprova os camelódromos, hora não. Ele deveria tomar uma decisão e centralizar a fiscalização'', comentou.
Felipe (nome fictício), 24, cursa o quinto ano da faculdade de Farmácia na UEL e costuma comprar DVDs piratas uma vez ao mês. ''Compro bastante, mas também baixo muita coisa da internet'', confessou o estudante, que tem fornecedor fixo. ''Compro sempre na mesma loja do camelô, assim posso trocar se o filme vier com problema.'' (M.G.)





