Londrina tem 12 ratos por habitante
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quarta-feira, 21 de novembro de 2007
Reportagem Local 
Profissionais de saúde pública estão preocupados com o crescimento acelerado da incidência de ratos de telhado - o Rattus rattus - registrada no ambiente urbano. Atraída pela grande oferta de ração de animais, essa espécie encontrou nas situações de pouca higiene e precário acondicionamento do produto as condições ideais de proliferação. Só em Londrina, por exemplo, estima-se uma proporção alarmante de 10 a 12 roedores para cada habitante; o número não fica muito abaixo da média de 15 per capita da cidade de São Paulo.
Os dados foram apresentados na semana passada pelo médico veterinário Italmar Teodorico Navarro, doutor em Saúde Pública e em Zoonoses, e professor do Departamento de Medicina Veterinária da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Referência no Brasil no estudo de roedores, Navarro foi um dos palestrantes da VIII Jornada de Medicina Veterinária (Aravet), promovida por alunos e professores do curso de Veterinária da Universidade Norte do Paraná (Unopar). Voltado às comunidades externa e acadêmica, o evento foi realizado no Recinto Milton Alcover, na Sociedade Rural do Paraná (SRP).
De acordo com o professor, o cuidado com o chamado rato de esgoto, mais conhecido como ratazana, não encontrou prevenção paralela no caso do rato de telhado, que, segundo ele, registrou um aumento considerável nos últimos 10 anos. Navarro explicou que o fato se deve à oferta abundante de comida em ambientes como casas, lojas e indústrias, mas ressalva que são as más condições de armazenamento de rações de cães e gatos, por exemplo, o grande atrativo para os roedores. Outra causa, conforme o especialista, e dessa vez com foco em Londrina, é a superpopulação de pombos: o rato de telhado é predador dos filhotes dessas aves.
''Houve um descuido na prevenção a esses roedores, e o resultado é que eles surgiram em abundância nos ambientes que oferecem a eles água, abrigo e comida'', disse, salientando que a ração de cães é a preferida da espécie.
Navarro defende que, no caso dos veterinários, é por meio do conhecimento dos hábitos comportamentais e da biologia do rato de telhado que virão as estratégias mais adequadas de prevenção, combate e inspeção. ''Mesmo porque, controle biológico, com gatos, e controle físico, com ratoeiras, não resolvem o problema. O rato é um bicho extremamente habilidoso'', lembrou, para completar: ''O controle químico até que é eficaz, mas desde que aplicado o veneno correto. Caso contrário, ele pode ser nocivo até à saúde humana''.
Além dos aspectos biológicos, Navarro destacou que o principal fator para combater a população de ratos é a educação. ''Esse é o ponto mais importante: orientar as famílias e as empresas, com informação qualificada, mostrando a importância de adotar atitudes como guardar corretamente os alimentos dos animais e fechar buracos que dão acesso à fiação elétrica e à rede de esgoto, pois servem como abrigo do roedor. São cuidados simples, mas que podem até salvar vidas'', alertou, referindo-se a doenças como leshmaniose e leptospirose, transmitidas pelos ratos.


