O londrinense até se esqueceu da última chuva que caiu sobre a cidade. Não é para menos, isso aconteceu há 32 dias. E a previsão é que os próximos sete dias vão continuar com o tempo seco, sem nenhuma gota de água. As temperaturas também devem permanecer estáveis, com máxima perto de 30º graus e mínima de 15º.
Segundo o meteorologista do Instituto Tecnológico Simepar, Samuel Braun, não se trata de um fenômeno, mas a predominância de uma massa de ar seco, comum nesta época do ano. Em 2010, os londrinenses ficaram exatamente 33 dias sem chuva entre agosto e setembro. Este ano, a previsão indica que esse número pode ultrapassar 40 dias. ''Em uma pesquisa rápida no sistema, notamos que o recorde aconteceu em 2004, quando foram registrados 54 dias sem chuva entre julho e setembro'', observa.
Além de Londrina, outras cidades do Norte e Norte Pioneiro, como Bandeirantes, Cornélio Procópio e Cambará, também apresentam baixos valores de umidade relativa e temperaturas elevadas. A sorte ficou com os maringaenses, que se refrescaram com a chuva no final de Julho.
O problema disso tudo é que sem chuva o clima fica muito seco e a umidade relativa do ar pode ficar abaixo de 30%, considerado um nível crítico. Por enquanto, de acordo com Braun, a média registrada em Londrina no início da tarde dos últimos dias é de no mínimo de 30%. ''Se considerarmos uma média diária, esse percentual é em torno de 60%. A questão é que entre 30% e 50% a população já começa a sofrer alguns efeitos'', revela.
Crianças
E são as crianças e os idosos os que mais sofrem, principalmente com problemas respiratórios. Só o Pronto Atendimento Infantil (PAI) de Londrina registrou nos últimos dias um aumento de cerca de 50% no número de atendimentos de casos de pneumonia, crises de bronquite asmáticas, sinusites, rinites, além de infecções de gargaganta e ouvido, de acordo com o diretor das unidades, Mohamed El Kadri.
Segundo o médico, são atendidas pelo PAI cerca de 250 crianças diariamente. Somente na última segunda-feira, El Kadri detalha que cerca de 370 crianças passaram pela unidade, quase a totalidade delas com problemas respiratórios.
No caso dos idosos, o diretor explica que apesar do número de atendimentos no Pronto Atendimento Municipal (PAM) ter permanecido praticamente o mesmo, em torno de 250, a maioria dos atendimentos que, em outros meses, refere-se a traumas, crises de hipertensão, cardiopatias e diabetes alterado, nesse último mês concentrou-se somente em problemas respiratórios.
Dicas
Para prevenir as doenças respiratórias e garantir uma boa saúde o ano todo, o médico aconselha que os pais mantenham as vacinas das crianças em dia, incentivem a ingestão de líquidos e uma alimentação saudável, mantenham a casa sempre muito bem arejada, posicionam bacias com água ou toalhas molhadas nos quartos para aumentar a umidade do ar e evitem aglomerações.
''Geralmente nessa época em que as crianças voltam às aulas, muitas delas aparecem doentes devido à aglomeração de crianças. O ideal é que pais e professores sempre mantenham as janelas abertas e os espaços muito bem arejados'', orienta o médico.
Com tosse há mais de 10 dias, o pequeno Lucas Henrique Bonassa Lima, 7 meses, era uma das mais de 20 crianças que aguardavam pelo atendimento no PAI ontem de manhã. ''Levei meu filho em outro médico para consulta há uma semana, mas ele só mandou fazer inalação e essa tosse não melhora. Então decidi trazê-lo'', conta a mãe Bruna Bonassa. ''Acho que enquanto não começar a chover ele vai continuar assim. O tempo seco maltrata muito as crianças.''
Para Sara Conte, de seis anos, nem mesmo as bacias com água espalhadas pela casa e os cuidados da mãe Edna Regina Conte ajudaram na prevenção da crise de bronquite. ''Ela já está com tosse, dor de garganta e bastante febre há alguns dias'', destaca.
No caso da dona de casa Valentina Custódio Xavier, 54, foram as crises de sinusite e rinite que a levaram para o PAM. Com máscara no rosto, a paciente contou que já aguardava há cerca de uma hora pelo atendimento, enquanto isso, ela amenizava o incômodo com a aplicação de descongestionantes nasais.

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