Paulo WolfgangEdifício Ilha das Flores: um dos locais onde o abalo provocou sustos

Moradores de vários edifícios no centro de Londrina sentiram, por volta da meia-noite de anteontem, um ligeiro tremor de terra. O Corpo de Bombeiros recebeu vários telefonemas de pessoas assustadas que moram em ruas da região central, como Bahia, Guaporé, Pernambuco, Espírito Santo, Juscelino Kubitscheck, Paranaguá, Goiás e Paes Leme. Os bombeiros de plantão apenas orientaram os moradores para que se tranquilizassem, já que o tremor foi passageiro.
Um morador de Cascavel (Oeste do Estado) também ligou para o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) ontem de manhã para se informar sobre um abalo que teria sentido no seu apartamento anteontem à noite. O técnico em metereologia do Iapar, Edmirson Borrozzino, fala que o instituto não tem sismógrofo - aparelho que mede esse fenômeno - e não pode explicar as causas.
A professora de natação Sônia Maria Rodrigues, moradora do 5º andar do Edifício Ilha das Flores, na avenida JK, conta que logo após a meia-noite sentiu o prédio balançar. ‘‘Eu estava vendo televisão quando senti o tremor. Levei o maior susto’’, conta. O filho de Sônia, Friedman, que tem 17 anos, diz que foram três balanços seguidos, que duraram no máximo sete segundos. ‘‘Pensei que estivesse com tontura. Pus a mão na cabeça e logo vieram outros dois.’’
A estudante universitária Eliana Marussi, que mora no 7º andar do mesmo edifício, estava amamentando a filha quando teve a impressão de um balanço. ‘‘Meu marido perguntou se era eu quem estava balançando a cama. Mas foi muito rápido e bem suave.’’
O síndico do Ilha das Flores, Edmilson Montenegro Júnior, mora no primeiro andar e disse não ter sentido nada. ‘‘Eu estava dormindo e, se teve balanço, ajudou o meu sono’’, brinca.
Moradores de São Paulo também sentiram o tremor de terra, no mesmo horário em que foi sentido em Londrina. Segundo o chefe do Observatório Sismológico de Brasília, Alberto Velozo, esse tremor é reflexo de um terremoto no Norte da Argentina. Dados registrados pelo sismógrafo da USP mostram que o abalo sísmico aconteceu a 280 quilômetros de profundidade, atingindo 6,4 graus na escala Richter.
Alberto Velozo lembra que alguns anos atrás Londrina também sentiu um tremor, mais intenso que o de ontem de madrugada. Ele explica que quando ocorrem sismos em determinadas partes da América do Sul, eventualmente formam-se ondas suficientes para se propagar a grande distância. ‘‘O terremoto aconteceu a 2 mil quilômetros de Brasília’’, diz. Ele explica que as partes mais altas dos edifícios sentem mais porque o balanço ocorre como num pêndulo invertido. ‘‘Os que moram embaixo não sentem tanto.’’

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