O município de Londrina sedia pela primeira vez a Copa Down de Tênis de Mesa, evento que reúne cerca de 40 atletas com síndrome de Down de diferentes regiões do Paraná. Em sua 8ª edição, a Copa acontece no Ilece (Instituto Londrinense de Educação para Crianças Excepcionais) Cafezal (Av Presidente Eurico Gaspar Dutra, 80), na zona sul. e é aberta ao público. Os jogos começaram nesta sexta-feira (12) e seguem até domingo (14).

O professor de educação física no Ilece e presidente da CBDI (Confederação Brasileira de Desportos para Deficientes Intelectuais), Edson Martinussi, explica que o principal objetivo do evento é mostrar o potencial dos atletas e que eles têm condições de participar de grandes competições, como as Paralimpíadas. Hoje, as regras impedem que atletas com esse tipo de deficiência integrem as delegações dos países.

O professor também destaca a importância do trabalho que vem sendo feito no Paraná, já que o estado é referência e é o único a promover um evento voltado à modalidade. Nos últimos anos, o tênis de mesa vem ganhando mais atenção dos brasileiros por conta de nomes de peso, como Bruna Takahashi e Hugo Calderano, medalhista de ouro na Copa do Mundo de Tênis de Mesa, em abril deste ano.

Imagem ilustrativa da imagem Londrina sedia pela primeira vez a Copa Down de Tênis de Mesa
| Foto: Jéssica Sabbadini

Doze equipes

Martinussi explica que os atletas foram divididos em duas chaves: a prata e a ouro. Na primeira, estão aqueles que começaram há pouco tempo no esporte e, na outra, os que já treinam e competem. Além disso, as partidas são disputadas nas modalidades individual feminino e masculino e duplas mistas.

Neste ano, a Copa reúne 12 equipes, representando as cidades de Londrina, Cambé, Prudentópolis, Rolândia, Bela Vista do Paraíso, Primeiro de Maio, Sertanópolis, Santa Izabel do Ivaí, Francisco Beltrão, Foz do Iguaçu e Curitiba. A idade dos atletas varia de 15 a até 60 anos.

O professor ressalta que o tênis de mesa é um esporte que compartilha muitas informações com o cérebro, o que pode ajudar a reduzir chances de desenvolver doenças ligadas ao sistema nervoso, como a demência. “Para os nossos atletas com deficiência intelectual, ele ajuda demais no desenvolvimento cognitivo, motor, social e em diversos outros aspectos”, detalha.

Leia mais:

'Friozinho na barriga'

“Com um friozinho na barriga”. É assim que o estudante do Ilece Cafezal, Gabriel Vega, 43, define a expectativa para o início da competição. Experiente, ele afirma que começou no esporte pela vontade de praticar alguma atividade, mas que seguiu pelo amor ao tênis de mesa e pela vontade de competir. O atleta de Londrina vai em busca do pódio na modalidade individual.

Diretamente da Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) de Francisco Beltrão (Sudoeste), Ricardo dos Santos Rocha, 26, afirma que está realizando o seu sonho de poder jogar tênis de mesa e que está contente em poder jogar em Londrina. “Eu estou muito feliz”, resume, dizendo estar animado para entrar em quadra.

Imagem ilustrativa da imagem Londrina sedia pela primeira vez a Copa Down de Tênis de Mesa
| Foto: Jéssica Sabbadini

'Serviu como um incentivo'

O professor de educação física e diretor da Apae de Prudentópolis (Centro-Sul), Wilson Bini Júnior, trouxe uma delegação de três atletas para competir em Londrina. Ele explica que o tênis de mesa já é ofertado aos alunos da instituição há mais de duas décadas, mas que, com o tempo, o esporte foi sendo aperfeiçoado, resultando na participação de atletas em diversas competições estaduais e nacionais.

“Nossos atletas foram crescendo no decorrer do tempo e conquistando títulos e medalhas. Isso serviu como um incentivo”, afirma, citando como exemplo os jogos e as paralimpíadas escolares.

Imagem ilustrativa da imagem Londrina sedia pela primeira vez a Copa Down de Tênis de Mesa
| Foto: Jéssica Sabbadini

'Energia positiva'

O professor afirma que a prática do esporte traz muitos ganhos para os estudantes com algum tipo de deficiência e mostra o potencial que eles têm dentro da sociedade, assim como auxilia no desenvolvimento de habilidades motoras e sociais. “É muito bom ver a alegria, a disposição e empenho deles, que superam todas as barreiras e obstáculos. Eles passam uma energia positiva que é muito bacana”, conta.

Uma das atletas vindas de Prudentópolis é Rosiane de Fátima Ribeiro, 26, que também disse estar feliz e animada para competir. Ao ser questionada pela reportagem sobre o que mais gosta no tênis de mesa, ela foi direta. “Eu gosto de ganhar”.

mockup