É um pássaro? O super-homem? Não, é um aviãozinho de papel desfilando no ar dois metros mais perto da lua que a superfície da quadra esportiva da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que sediou ontem uma etapa do Campeonato Mundial de Avião de Papel.
Como qualquer campeonato mundial que se preze, o de aviãzinho de papel tem mais de uma categoria: distância de voo, tempo de voo e acrobacia. É impossível imaginar um campeonato mundial, mesmo desta espécie, sem torcida. Lá estavam, mesmo sem muita agitação, alguns curiosos para assistir o espetáculo. Quatro redes de televisões cobriram o evento, algumas até com entradas ao vivo. Além de jornais impressos.
Numa rápida conversa com alguns dos cerca de 20 estudantes que partiparam da competição, teorias sobre a fabricação de aeronaves eficientes começaram a borbulhar. ''Para ir numa distância maior o segredo é deixar ele bem compacto e jogar forte, mas não apontado muito para cima'', disse o estudante de Química Wagner Rodrigues.
Antes do início do evento, a maioria dos competidores demonstrava confiança num bom resultado. Até porque praticamente todos brincaram na infância com aviões de papel.
Preparação
Então vamos para os resultados. Wagner Rodrigues Desiro que expôs sua teoria anteriormente ganhou na categoria de voo a distância. Ele conseguiu lançar o seu boeing, feito com dez dobraduras, a 31,5 metros pela quadra da UEL, surpreendendo até o mais desanimado espectador. Não foi a toa que Wagner saiu vitorioso nessa categoria. Durante uma semana ele se preparou para competição. ''Fiquei lançando num campinho em frente de casa. Cheguei a atingir 40 metros'', afirmou.
Além de fabricar aviões de papel quando criança, o estudante também aprendeu origami, a arte japonesa de dobradura no papel, na infância. O recorde mundial de lançamento a distância é de um americano Stephen Krieger. Em 2003 ele conseguiu que sua criação voasse por 63.19 metros, um feito comparável aos primeiros passos da humanidade na lua.
Na categoria tempo de voo, Wagner lamentou a derrota. ''Quando estava treinando cheguei a atingir 11 segundos.'' Se tivesse repetido o resultado ele teria vencido com facilidade. Mas o estudante registrou menos da metade de seu recorde: 5 segundos. Reginaldo Luis Forti, que está no quarto ano de Engenharia Elétrica, venceu com 7,5 segundos. ''Eu vi alguns modelos na internet e imitei. O que teve melhor resultado usei hoje. O segredo é caprichar na dobradura, deixar o bico um pouco mais pesado para ele subir e as asas largas para planar'', explicou. O recorde mundial nesta categoria é do japonês Takuo Toda, que em 2009 fez seu produto dançar no ar por 27,9 segundos.
Esta é a terceira edição do Campeonato Mundial de avião de papel (Red Bull Paper Wings). No Brasil, até o fim do mês devem ser concluídas 29 etapas em universidades. Em todo mundo serão mais de 500 classificatórias em 85 países. Os estudantes com as melhores performances garantem presença no mundial que será realizado na Áustria, no segundo semestre.
Na categoria Acrobacia, o estudante Paulo Henrique Vieira Orlandini, ganhou. ''Esse é um avião que eu mesmo criei, só dei uma aperfeiçoada para competição'', explicou. Como a categoria Acrobacia era mais subjetiva que as outras duas os vencedores da etapa regional não concorrem por uma vaga no mundial na Europa. Ele voltou para casa com uma camisa da competição e uma placa da vitória, mas no futuro poderá contar aos seus netos que no dia 28 de março de 2012 ganhou uma etapa do Mundial de Aviãozinho de Papel. Nem Santos Dumont pode se gabar dessa.

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