Londrina se prepara para desastres naturais
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terça-feira, 11 de outubro de 2005
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Mãe Diva, a vidente carioca que declarou em rede nacional de TV que Londrina sofreria uma catástrofe natural nas próximas semanas, foi muito citada ontem. Mas os participantes da reunião que abriu a Semana Nacional de Redução de Desastres, na sede da Companhia de Desenvolvimento (Codel), fizeram questão de dizer que o evento nada tinha a ver com as previsões esotéricas que andam metendo medo na cidade.
Estreando este ano, a semana criada pelo Ministério da Integração Nacional pretende mobilizar membros do Poder Público e comunidade em geral para fortalecer a Defesa Civil e divulgar como ela funciona. É bem provável que a iniciativa esteja ligada à série de desastres naturais que têm chocado a comunidade internacional e provocado reflexões sobre a ação do homem sobre a natureza.
''O que posso garantir é que não foi por causa da Mãe Diva'', ironizou o coordenador geral da Defesa Civil de Londrina, Carlos Eduardo de Afonseca e
Silva, que também é presidente da Companhia de Habitação (Cohab). ''É lógico que Londrina não tem hoje problemas com fenômenos mais graves, mas as próprias mudanças climáticas nos levam a ficar preocupados. Temos visto desastres em Santa Catarina ou mais recentemente no município de Castro, por exemplo, onde nunca haviam acontecido antes'', citou.
Prevenção é a palavra-chave quando se transporta o assunto para Londrina. Embora a cidade nunca tenha sofrido um grande desastre - e por isso mesmo a maioria da população desconheça a Defesa Civil - Afonseca e Silva garante que o Município vem se preparando para amenizar o impacto de um desses eventos. ''Temos escolas nominadas por região, para onde famílias desabrigadas poderiam ser levadas. Também temos convênios com a iniciativa privada para fornecimento de lonas, telhas, remédios, se necessário'', enumerou. Entre os parceiros da Defesa Civil está também a Associação de Radioamadores, capaz de facilitar as comunicações na falta dos meios tradicionais.
O responsável pela Coordenadoria Municipal de Defesa Civil (Comdec) do Corpo de Bombeiros de Londrina, capitão Ricardo Jammes Teixeira, lembrou que o lema do órgão é ''Prever para prover''. Ele identificou as três principais fragilidades de Londrina como sendo os vendavais, as chuvas e o tráfego. ''Os acidentes de trânsito também são considerados desastres. E eu não me lembro de ter visto tantas ocorrências graves nas estradas da região como nos últimos anos'', frisou.
Com relação às catástrofes naturais, Teixeira alertou que ''a tendência é piorar''. ''Temos matado nosso ecossistema, e estão aparecendo coisas novas, que ninguém imaginava'', observou. Por esse motivo, um dos focos da Semana de Redução de Desastres é a educação. ''As crianças têm que aprender que se jogam um único papel de bala no chão estão contribuindo para entupir as galerias pluviais e facilitar um desastre'', ressaltou Afonseca e Silva.


