Londrina se antecipa e faz 2 mil exames
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quinta-feira, 10 de agosto de 2000
Maranúbia Barbosa De Londrina Especial para a Folha 
Cerca de dois mil alunos da 1ª série do ensino fundamental da rede pública de Londrina fizeram exames de vista gratuitos. As consultas fazem parte da campanha Olho no Olho, desenvolvida desde o ano passado pelo Ministério da Educação (MEC), em parceria com a Sociedade Brasileira de Oftalmologia e com recursos provenientes do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Participam também da campanha os governos estaduais e municipais.
O alvo da campanha são crianças da 1ª série de municípios com mais de 50 mil habitantes. O objetivo é fazer testes de acuidade visual e entregar óculos de grau às crianças de baixa renda.
A campanha deste ano será lançada oficialmente pelo MEC na segunda quinzena deste mês. Mas as escolas de Londrina saíram na frente e já realizaram exames de vista em 1.779 crianças de 1ª série. Devido ao sucesso da campanha, as escolas estenderam os exames a 1.234 alunos de 2ª a 4ª séries do primeiro grau.
A responsável pela campanha e coordenadora do Núcleo Regional de Ensino em Londrina, Myrian Csucsuly, explicou que as escolas municipais também aderiram à iniciativa. Ela disse que no início do ano letivo os professores foram orientados para aplicar o teste de acuidade visual. O teste de Snellen, como é chamado, é um cartaz com sinais, colado na parede a uma distância de 5 metros do aluno. O professor observa se a criança aponta o sinal na direção certa. Caso a criança não consiga ver os sinais é constatado que ela precisa ser encaminhada ao oftalmologista, informou.
Se a criança apresentar algum tipo de deficiência visual, o oftalmologista prescreve a receita. De acordo com Myriam, o governo federal, através do FNDE, repassa às Secretarias de Educação municipais as verbas para pagar os médicos conveniados e comprar os óculos.
Este ano, o FNDE ainda não repassou o dinheiro que será gasto com os óculos, mas a maioria dos exames já foram feitos. Segundo a assessora de planejamento da Secretaria Municipal de Educação, Carmen Lúcia Baccaro Sposti, no ano passado, Londrina recebeu um crédito de pouco mais de R$ 12 mil.Atendemos cerca de 10% dos casos, exatamente 810 crianças. As demais tiveram os óculos comprados pelos próprios pais ou pelas Associações de Pais e Mestres, esclareceu.
No Instituto Estadual de Educação de Londrina (IEEL) os professores estão há vários anos treinados para aplicar o teste de acuidade visual. Monitorados pela orientadora educacional Maria Lúcia Manfredini, os professores observam constantemente os alunos, a fim de detectar problemas visuais. Em muitos casos é o professor o primeiro a notar se a criança não enxerga bem. Os sinais de alerta aparecem quando a criança traz o livro muito perto dos olhos, se lacrimeja, reclama de dor de cabeça ou sente enjôo depois de uma leitura mais longa, esclareceu Maria Lúcia.
Em casa, os pais também devem estar alertas. Crianças que caem muito ou são cautelosas ao andar, preferem ver televisão de perto e apresentam agitação fora do normal podem ter problemas de vista. Não enxergar direito acaba se refletindo no aprendizado. A criança levanta a todo momento da carteira e não tem interesse pela aula, salientou.
Ana Carolina Guassu, seis anos, estudante da 1ª série, fez o teste e está usando óculos comprados pelos pais. Antes eu não conseguia ver o quadro direito, mas agora melhorou.


