Londrina registra surto de meningite viral
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sábado, 30 de dezembro de 2006
Guilherme Borges<br>Reportagem Local 
Até que as águas de março fechem o verão, é melhor cuidar da alimentação e higiene para não ficar alguns dias de molho. É que Londrina vive um surto de meningite viral causada principalmente por contaminação através da água ou alimentos mal-lavados. Ao todo, são 93 casos registrados pela Secretaria Municipal de Saúde somente no mês de dezembro. ''Apesar de eu não considerar esta doença como típica do verão, de fato este ano tivemos um aumento considerável a partir do final de novembro'', afirma a enfermeira e gerente de Epidemiologia, Sônia Fernandes.
A menina Lais Regina Rosa, de sete anos, contraiu a doença pela primeira vez. ''Deu um susto, porque falar em meningite já desespera. Por sorte era viral, que é controlada rapidamente'', afirma a mãe Elaine da Cruz Dionísio. Ela conta que filha começou a ter vômitos frequentes no dia 24 de dezembro - um dos sintomas principais da meningite viral, somado à fortes dores de cabeça e aumento da temperatura do corpo -, no dia 25 acordou com dor de cabeça e pouca febre, e foi internada no dia 26. ''Tem que ficar 36 horas em observação, tomando remédio para cortar o vômito e fazendo reidratação'', observa Elaine.
Outras doenças e sintomas, como diarréias, vômitos, gripes e hepatites virais, também costumam ser recorrentes com a chegada do calor e umidade. A pediatra, infectologista e diretora de Epidemiologia da Secretaria de Saúde, Simone Garani Narciso, garante que o índice de diarréias costuma subir de 30 a 40% quando comparadas a outras estações do ano. Ela lembra ainda que outra enfermidade perigosa nessa época do ano é a dengue. ''As chuvas de verão aumentam os focos de infestação da doença, por isso a atenção precisa ser redobrada''.
A pediatra e médica da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Infantil, Najat Nabut, lembra que nesta época é importante que os pais fiquem atentos à desidratação das crianças. ''Além de todas estas doenças comuns no verão, temos a desidratação. Se necessário, os pais devem administrar o soro caseiro''.
Ela ainda orienta que os adultos evitem dar comidas pesadas, gordurosas ou com excesso de corantes para as crianças. ''De uma maneira geral, todos devem evitar esses alimentos no verão, as crianças em especial'', afirma. A médica da Secretaria da Saúde ainda lembra os cuidados de higiene: lavar as mãos antes de fazer as refeições ou manipular alimentos e após utilizar o banheiro. ''A limpeza das mãos e higiene em geral reduzem sensivelmente os índices dessas doenças.''
Simone Narciso ainda orienta que as pessoas observem como os alimentos são manipulados em casos de refeição feita fora de casa e qual a origem da água que vão beber. ''Vale lembrar que é proibida a comercialização de maionese caseira. Este produto só pode ser oferecido em sachê. Depois do último caso de intoxicação alimentar grave em Londrina (em outubro de 2005, quando cerca de 60 pessoas foram intoxicadas com a bactéria salmonela em um carrinho de lanche), o índice diminuiu. A Vigilância da secretaria, apesar de equipe reduzida após às 18 horas, está acompanhando''.


