Trinta novos casos de meningite virótica foram registrados nos hospitais de Londrina neste final de semana. A disseminação da doença está deixando pais e direção de escolas preocupados. O diretor-geral do Hospital Infantil, Álvaro Luis de Oliveira, confirma o surto da doença na cidade. ‘‘Estamos com 14 crianças internadas com meningite virótica. Mas não é preciso se alarmar, pois a doença é benigna e não traz maiores problemas se for tratada corretamente’’, disse Oliveira. Oito crianças estão isoladas e seis já em processo de recuperação.
Ainda segundo o médico, os casos de meningite começaram há cerca de um mês. Só no domingo, quatro crianças foram internadas no Hospital Infantil. No Hospital Evangélico, quatro crianças deram entrada com meningite. Segundo a assessoria de imprensa do hospital, este número é atípico. Normalmente, uma a duas crianças são internadas por semana com a doença. Já no Hospital Universitário existem atualmente dois pacientes internados.
Pais e mães estão com receio de levar as crianças à escola. A doença ataca geralmente crianças em fase escolar, com idade de até 10 anos. Camila, 11 anos, foi internada sábado e ficou três dias no Hospital Infantil. ‘‘Ela começou a vomitar muito e ter febre alta. Fiquei assustada e fui correndo para o hospital. Já tinha ouvido falar que a meningite estava pegando as crianças’’, disse a mãe de Camila, Maria Helena Leibante da Silva.
Paula, de cinco anos, também foi internada sábado apresentando os sintomas de meningite, só que a do tipo bacteriana. ‘‘É triste ver um filho assim. Não há nada para fazer, só esperar a recuperação’’, disse Kátia Campagnucci de Souza, mãe de Paula. Kátia disse que na sua rua conhece duas crianças que pegaram meningite.
Nas escolas, os pais estão sendo alertados sobre sintomas da doença. Os professores estão deixando a cargo dos pais o envio ou não das crianças às salas de aula. ‘‘Não há o que fazer dentro da escola. Só alertamos os pais para que busquem um pediatra no caso de dúvidas , disse a diretora da Escola Presipe, Silvia Bortolin Borges. Em outras escolas também há registros de casos e os pais também estão sendo informados. No Colégio Marista, a direção antecipou as férias para os alunos da pré-escola e da 1ª a 4ª séries. As aulas foram encerradas ontem. Neste mês, foram registrados 10 casos da doença entre alunos do Marista.
Apesar do aumento de casos da doença, a Secretaria de Saúde de Londrina diz que não há surto na cidade. ‘‘Ainda não dá para dizer que é um surto. Todos os anos, nestes meses, é normal o aumento dos casos’’, disse Ana Elvira de Barros Jóia, gerente de epidemiologia da secretaria.
De janeiro a novembro deste ano, a secretaria registrou 126 casos de meningite na cidade. O número é o dobro do registrado em 1997 e 1996 (58 casos). Mas de acordo com Ana Elvira, a média dos últimos anos chega perto do resultado de 98. Em 1990 foram constatados 160 casos; em 1991, 147; em 1992, 113 e em 1994, 95 casos. O tempo de internação varia conforme a recuperação da criança.
A meningite virótica é causada por vírus e por isso sua propagação é facilitada, como uma gripe. Não existe vacina e a cura é através de internação e repouso absoluto. Os médicos e a Secretaria de Saúde apontam o clima seco e as mudanças repentinas de temperatura como as causas que facilitam o aparecimento da doença. Não se sabe ainda qual o tipo de vírus encontrado em Londrina. Exames estão sendo feitos em Curitiba e em breve deverá ser conhecido.
Os primeiros sintomas são a febre alta, dor de cabeça e vômitos. Deve-se evitar ambientes fechados, aglomerações, e manter as janelas abertas e os locais arejados. Recomenda-se que as crianças com os sintomas não sejam levadas à escola.

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