Londrina registra mais duas mortes violentas
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domingo, 17 de novembro de 2002
Fábio Galão<br> Reportagem Local 
Dois homicídios na noite de sexta-feira elevaram para 130 o número de mortes violentas em Londrina este ano. Só no mês de novembro são 11 ocorrências, sendo que quatro foram registradas desde o início do fim de semana prolongado. Por volta das 21h30, o tapeceiro Jair Barbosa, 19 anos, foi encontrado baleado na rua Antônio da Silva, no jardim Novo Amparo (zona norte), junto com seu sobrinho, Hamilton Israel da Silva, 16 anos.
Barbosa levou quatro tiros no tórax e no peito, e já estava morto quando moradores chamaram a polícia. Hamilton foi atingido por 12 tiros e chegou a ser levado ao Hospital Universitário (HU), onde morreu. Como se tratavam de projéteis de arma calibre 38, que comporta no máximo 8 balas, cogita-se que o crime tenha sido cometido por mais de uma pessoa. Os dois rapazes mortos eram moradores do jardim Santa Inês (zona leste).
Ontem, no Novo Amparo, o local onde Barbosa e Hamilton foram assassinados, em frente a um terreno baldio, ainda apresentava manchas de sangue. Os moradores da região se recusaram a falar com a reportagem e se limitaram a dizer que ouviram os tiros e que não tinham visto ninguém. Com estas duas mortes, o bairro acumula três assassinatos no ano. Em 2002, a zona norte foi palco de 30 homicídios.
No velório, no Centro Comunitário do jardim Marabá (zona leste), a viúva de Barbosa, Ana Paula Soares do Prado, contou que o marido saiu de casa na sexta-feira, por volta das 19 horas, com Hamilton. Os dois estavam de bicicleta. ''Não sei o que ele (Barbosa) foi fazer no Novo Amparo. Parece que ele ia buscar um relógio, algo assim'', explicou a mãe de Barbosa, Áurea Barbosa de Oliveira.
O tapeceiro tinha passagens pela polícia por roubo. ''Mas há um ano meu filho estava fora do crime. Trabalhava, levava uma vida decente. Não imagino porque o mataram'', disse Áurea. Barbosa tinha um filho de 10 meses. Segundo os familiares, Hamilton era deficiente mental. A Polícia Civil ainda não imagina motivos para o crime, mas o delegado de Furtos e Roubos, Francisco de Assis, já cogita um nome. Ontem pela manhã, uma equipe percorreu a cidade atrás do suspeito, que não havia sido localizado até o início da tarde.
Somando a morte de Erivaldo Pereira Azevedo, 32 anos, que faleceu no último dia 13, queimado pela esposa, Neide Maria de Abreu, e as mortes de dois jovens no feriado de sexta-feira, o número de mortes violentas este ano sobe para 130.


