Londrina registra aumento de 32%
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terça-feira, 27 de setembro de 2011
Marcos Roman <br> Reportagem Local 
Londrina registrou um aumento de 32% no número de doações de órgãos entre janeiro e agosto deste ano em relação ao mesmo período de 2010. Segundo dados da Comissão de Procura de Órgãos e Tecidos (Copot) do Paraná - nova denominação para a Central Estadual de Transplantes - nos oito primeiros meses de 2011 foram realizados 82 transplantes de córnea, 19 de medula óssea, 18 de rim e um transplante de coração. Visando melhorar ainda mais esse quadro, a entidade promoveu ontem o II Encontro com Professores da Rede de Ensino sobre Doação e de Órgãos e Tecidos.
O evento marcou o Dia Nacional de Doação de Órgãos e teve como objetivo capacitar os educadores para atuarem como multiplicadores de informações junto a alunos da rede estadual. ''Apesar do número de doações estarem aumentando, ainda há muitos mitos e desinformação sobre o assunto. Através das crianças queremos também esclarecer as dúvidas dos adultos'', afirma a coordenadora do Copot em Londrina, a enfermeira Ogle Beatriz Bacchi.
Segundo ela, os maiores desafios quando se fala em doação ainda são as dúvidas que envolvem a morte encefálica. Na avaliação de Ogle, a promoção de campanhas de esclarecimento à população são a melhor maneira de mudar essa realidade. ''Aos poucos está havendo uma maior conscientização. Em 2010, tivemos 79 notificações de morte encefálica. Deste total, oito famílias autorizaram a doação de órgãos. Em 2011, até o final de agosto houve registro de 65 mortes encefálicas e 21 doações. Entretanto ainda temos 97 pessoas na fila de espera por uma córnea, 473 aguardando um rim e 10 pacientes precisando de um coração'', ressaltou a enfermeira.
Ela destacou ainda a importância da pessoa que pretende ser doadora que comunique esse desejo à família. ''Notamos que é bem mais fácil convencer a família a fazer a doação quando a pessoa que morreu já havia manifestado essa vontade. Vale lembrar que uma pessoa pode ajudar a salvar até sete vidas através da doação de córneas, rins, coração, fígado, pâncreas, válvula cardíaca e tecido ósseo'', observou.
Valores
Os 44 professores da rede estadual de ensino que participaram do encontro assistiram a palestra com o neurocirurgião Marcos Dias, coordenador intra-hospitalar de transplantes do Hospital Evangélico. Ele abordou a questão da bioética e dos valores morais que envolvem a morte encefálica. Os docentes receberam ainda um material didático sobre como abordar a questão da doação de órgãos com os alunos da rede estadual de ensino.
''A doação envolve valores morais, éticos e cristãos e requer muita conversa. Somente com informações precisas como as que foram repassadas neste encontro os professores estarão preparados para abordar o tema com os alunos'', enfatizou a assistente técnica do Núcleo Regional de Educação, Luzia de Jesus Alves.
''Agora temos condições de esclarecer as dúvidas que os alunos têm em relação a doação de órgãos'', afirmou a professora Ângela Basílio. ''Vamos tratar o assunto de forma clara e objetiva na sala de aula para que os alunos repassem as informações para seus pais''. salientou a professora Eliane do Nascimento.


