Os pacientes que sofrem de doenças mentais perderam dois leitos para internação de curta duração e correm o risco de ver o serviço extinto em Londrina. O programa Conviver do Núcleo de Amparo Psicossocial (Naps), único da cidade a oferecer, pelo SUS, atendimento multidisciplinar aliado ao internamento de curta duração, reduziu o número de leitos de seis para quatro.
A mudança, alerta o médico psiquiatra e membro da equipe do Conviver-Naps, Percy Antônio Galimberti, coloca em risco todo o projeto do atendimento do Conviver e vai contra as decisões tomadas nas Conferências Municipais de Saúde.
Autor do projeto que criou a instituição em 96, ele argumenta que a proposta do Conviver é oferecer condições para os pacientes ficarem o menor tempo possível internados. ‘‘É o princípío básico da Reforma Psiquiátrica que está acontecendo em todo o mundo e preconiza um atendimento mais humanizado do doente mental’’, frisa.
Esclarece que, no Conviver, os pacientes com crise forte são internados por um prazo de, em média seis dias, até a situação ser controlada. Superada a crise ele volta para casa e passa a receber atendimento no hospital dia (vem de manhã e volta para casa a noite) ou ambulatorial, de acordo com o caso. No sistema conservador de atendimento, o paciente é internado no hospital psiquiátrico onde costuma ser mantido por pelo menos um mês.
Pelo projeto, o Conviver-Naps, só encaminha um paciente para um hospital psiquiátrico se não tem vagas ou o caso for muito grave. ‘‘Mas a situação tem mudado e, mesmo sobrando leitos aqui, os médicos do projeto têm mandado os pacientes para os hospitais psiquiátricos. Isto é preocupante.’’, diz. Galimberti explica que o próprio Ministério da Saúde baixou várias normas para garantir a reforma. Entre outras medidas, o ministério tem incentivando a criação de centros de atendimento multidisciplinar e proibindo o aumento de leitos de hospitais psiquiátricos.
‘‘Não sou dono da verdade. Mas entendo que uma mudança tão séria deve ser discutida pela equipe e colocada para aprovação do Conselho Municipal de Saúde, responsável pela política de saúde do município’’, defende. ‘‘É uma perda lamentável para o usuário do serviço e comunidade. O internamento de curta duração protege o paciente preservando o vínculo familiar e incentivando o ressocialização’’, afirma a presidente da Associação Londrinense de Saúde Mental.
A coordenadora do programa, Patrícia Dias Castro, disse que a desativação dos leitos não irá prejudicar o programa Conviver. Segundo ela, havia um vazamento no quarto onde estavam os dois leitos desativados. ‘‘Não havia demanda suficiente para mantê-los. Optamos, então, por ampliar o ambulatório que hoje é o nosso grande problema. A lista de espera para atendimento no ambulatório chega a quase 300 pessoas. Essa mudança vai ajudar a amenizar a situação’’, disse Patrícia.

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