O Comitê de Prevenção da 17 Regional de Saúde divulgou ontem números da mortalidade infantil em Londrina no ano passado. A pesquisa aponta que a cidade teve uma média de 10,86 mortes de bebês até um ano a cada mil nascimentos registrados. Em 2001, este coeficiente era de 11,37; em 2000, 14,19. Isto representa uma redução de 23,46% dos óbitos em dois anos.
No total, 75 mortes de crianças com idade até um ano foram registradas no município em 2002 (contra 80 em 2001). Nestes óbitos, 53 bebês estavam no período neo-natal, ou seja, tinham até 28 dias de vida, e 22 tinham idade entre 28 dias e um ano, o chamado período pós neo-natal. O coeficiente de 10,86 é o melhor da história do município.
As causas principais das mortes são afecções perinatais (problemas graves na gravidez ocorridos momentos antes do parto), com 57,3%, deformidades e anomalias congênitas, que representam 26,7%, e causas externas (acidentes), com 5,3%. Fecham a conta ocorrências como infecções e doenças parasitárias, nutritivas ou respiratórias.
Segundo o presidente do Comitê, Milton Macedo de Jesus, Londrina apresenta há anos índices superiores a Curitiba. Em 2000 e 2001, os coeficientes da capital foram respectivamente 14,86 e 13,66. O secretário de estado da Saúde, Cláudio Xavier, informou que o dado de 2002 estava na casa de 12 óbitos para cada mil nascimentos. O número de Londrina também é melhor que a média de todo o estado do Paraná, que foi de 19,44 em 2000 e 17,39 em 2001. Os dados de 2002 ainda não foram fechados.
''Comparativamente a outras cidades de grande porte do Sul do país, Londrina está bem. Creio que apenas Florianópolis (SC) tenha um coeficiente melhor, que já está abaixo dos dez óbitos por 1.000 nascimentos'', explica Macedo. Em todo o Brasil, o Ministério da Saúde não fecha dados sobre a mortalidade infantil há quatro anos. O último número computado é relativo ao ano de 1998, e apontava o coeficiente de 28,5 mortes.
Nos países do Primeiro Mundo, o coeficiente gira entre 5 a 8 óbitos, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). O Brasil tem um compromisso com a OMS de reduzir o número para 25 mortes em cada 1.000 nascimentos até 2005. Mas Macedo considera que os dados atuais de Londrina são ''relativamente bons''.
''Foi um ótimo resultado, mas ainda há muito o que melhorar. Nosso estudo aponta que 30% das mortes resultaram de causas que poderiam ser evitadas. Através de um pré-natal melhor, de uma melhor assistência no parto, ou por meio do saneamento de fatores sociais adversos, como água contaminada, falta de rede de esgoto e pobreza'', considera Macedo. Segundo o médico, 21% do total de gestações no município em 2002 foram de mães adolescentes.
O secretário municipal de Saúde, Silvio Fernandes, comemorou o novo coeficiente e destacou melhoras no atendimento ao parto e na integração das Unidades de Terapia Intensiva (UTI) pediátricas e neonatais. ''Quando se atinge níveis baixos, como os que Londrina apresentou em 2002, o desafio é reduzir ainda mais, algo que é mais difícil do que diminuir uma grande mortalidade. No início da minha gestão (em 2000), eu anunciei a intenção de reduzir para um dígito este coeficiente. Ainda há tempo para isso'', diz o secretário.

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