No dia em que completa os seus 50 anos, a praça Primeiro de Maio, no centro histórico de Londrina, reabre para a população após muita polêmica. Desde a idealização e concepção do projeto do Memorial dos Pioneiros, que passou a integrar a área, ocupando o espaço da rua Maestro Egídio, até problemas com a empresa que venceu a licitação, gerando um atraso na sua conclusão, a praça foi tema de discussões acaloradas em relação à utilização do espaço.
As obras de revitalização da Concha Acústica e construção do memorial começaram em março do ano passado, e, segundo o secretário municipal de Cultura, Luciano Bitencourt, custaram R$ 500 mil, sendo R$ 200 mil provenientes de recursos federais, destinados ao Memorial dos Pioneiros, e os outros R$ 300 mil do próprio município.
O piso foi trocado por paver, e ganhou ainda piso tátil para deficientes. A praça ganhou novo mobiliário, com bancos, floreiras, gradis e nova iluminação. Desgastados pelo tempo, os bancos da Concha Acústica foram retirados e substituídos por outros com a mesma disposição e modelo, respeitando o projeto original. As áreas verdes do projeto inicial, cimentadas com o passar do tempo, também foram recuperadas.
O espaço volta esta semana a receber atrações artístico-culturais, inclusive com a retomada do projeto Sexta na Concha. ''Estamos reabrindo este espaço para a convivência das famílias, a reverência à memória e a fruição da arte. A cidade foi feita para isso, e não para ser uma via de trânsito entre o trabalho e a casa. É o espaço urbano se tornando público de fato'', definiu o secretário.
Já o Memorial é composto por 17 tótens que fazem referência à história da cidade, sendo um de abertura, um de encerramento, um em alusão aos índios caingangues, que já habitavam a terra e outro sobre os desbravadores que chegaram antes de 1929. Os 13 restantes contam com gravuras do artista plástico radicado em Londrina Paulo Mentem, convertidas em três dimensões por Roberto Vendrameto, além de 3.800 nomes dos pioneiros que vieram a Londrina entre 1929 e 1939, fornecidos pelo Museu Histórico Pe. Carlos Weiss e ordenados em ordem alfabética.''O Memorial foi projetado para ser uma intervenção simples e discreta, para realçar a Concha ao mesmo tempo em que valoriza e reverencia a história da cidade'', explicou Bitencourt.
O secretário fez questão de ressaltar que, para evitar roubos, o material utilizado para confeccionar as placas foi resina de mármore, e não bronze. ''Ele tem bastante valor no tótem, mas baixo valor comercial'', avisou.
''É a recuperação de um marco histórico que é ponto de referência na cidade, além de ser uma forma de se homenagear os pioneiros'', avaliou o prefeito Nedson Micheleti. Nedson optou por não realizar nenhuma solenidade de inauguração do local, deixando apenas a programação cultural para marcar a inauguração do espaço. ''É um momento de se celebrar a história, em que os pioneiros são a figura mais importante. Se fizéssemos uma solenidade política, eles ficariam em segundo lugar'', justificou.
O prefeito adiantou que o próximo projeto do município nesse sentido é a construção da praça da imigração japonesa, em um terreno localizado ao lado do Pronto-Atendimento Infantil (PAI), e cujo projeto deve ser lançado em junho, por ocasião dos 99 anos da chegada dos japoneses ao Brasil. ''Também pretendemos revitalizar a praça Rocha Pombo; já temos um projeto aprovado, mas ainda estamos atrás dos recursos'', revelou.

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