Um quarto do lixo produzido em Londrina é reaproveitado. O índice, levantado pela administração municipal, é superior à média nacional, que fica nos 15%. O resultado é considerado bom pelo presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Mauro Yamamoto. A quantidade é equivalente a 110 toneladas de lixo reciclável recolhidas por dia. Os números da CMTU dão conta que um crescimento de 10% na quantidade reciclada foi registrada apenas no último semestre.
Para Yamamoto, não há mais muito espaço para que a porcentagem de lixo reaproveitado melhore. ''Os maiores índices registrados no mundo giram em torno de 35%. Não tenho conhecimento de um índice tão bom quanto o de Londrina em outra cidade do país'', afirma.
De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, está em andamento um levantamento sobre o número de cidades do Paraná que mantêm programas de coleta seletiva e a quantidade reaproveitada.
Mas o aumento da participação no programa em Londrina, de acordo com o secretário municipal do Meio Ambiente, Gérson da Silva, depende de uma conscientização maior da comunidade. ''As pessoas têm que ter esse hábito enraizado. Esse trabalho de longo prazo é feito em escolas públicas municipais, através de palestras para sensibilizar os alunos'', diz. Silva, no entanto, descartou a punição como uma forma de forçar a adesão ao programa.
Síndico de um edifício na Área Central da cidade, o torneiro mecânico Mitio Saiki, 57, é um exemplo de consciência ambiental. O condomínio dele faz uma separação ainda mais rigorosa do material reciclável do que exige a legislação.
O espaço destinado ao lixo tem segregação para papel, plástico, vidro e metal, além da área reservada para o material não reciclável. Folhetos explicativos sobre a importância da coleta seletiva sempre estão colados na parede do local.
Saiki conta que aprendeu a valorizar o reaproveitamento do material nos dez anos em que morou no Japão. Lá, conta ele, as crianças são ensinadas a fazer a separação e o respeito à lei é total. ''O sistema japonês é rígido e antigo. São separados todos os materiais recicláveis, inclusive as pilhas e bateriais têm destinação especial'', comenta.
O síndico garante que o programa tem funcionado adequadamente e os atrasos na coleta só ocorrem nos feriados prolongados. Segundo ele, é importante ter o cuidado de destinar o material apenas às ONGs, para que a destinação correta seja garantida. ''Já que existem pessoas necessitando, essa é uma boa forma de ajudá-las'', salienta.

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