Londrina recebe vacina para rotavirus
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quinta-feira, 07 de dezembro de 2006
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Após 15 dias em falta nos postos de saúde de Londrina, 2,5 mil doses da vacina contra rotavírus chegaram ontem à Secretaria Municipal de Saúde. A gerente de Vigilância Epidemiológica, Sônia Fernandes, informou que o fornecimento deve ser normalizado em toda a rede até amanhã, mas já se mostrou preocupada com a continuidade. ''O problema é que não sabemos quando vamos receber novas doses'', ressalvou.
Além disso, para várias crianças londrinenses, o ''estrago'' já está feito. Aquelas cuja idade limite para tomar a vacina venceu nos últimos 15 dias, quando ocorreu a falha no fornecimento, ficarão desprotegidas. A primeira dose tem de ser tomada dos 2 meses de vida até 3 meses e 7 dias. Para a segunda dose, o período vai dos 4 meses aos 5 meses e 7 dias de idade.
''Não sabemos o número de crianças que perderam o prazo, mas com certeza houve algumas. Estávamos saindo de uma paralisação dos servidores e os calendários de vacinação ainda estavam sendo postos em dia'', admitiu Sônia. O Município aplica em torno de 1 mil doses/mês na cidade. Entretanto, como existe uma demanda reprimida, o novo lote tem duração incerta.
Depois de dias de uma busca frustrada por vacina para o filho Enzo, de quatro meses, a pedagoga Mary Aparecida de Souza, 32 anos, moradora do Centro, só conseguiu encontrá-la em Cambé (13 km a oeste de Londrina). O bebê foi imunizado ontem pela manhã. ''A gente fica até chateada de ter que apelar para um posto deles, porque sabe que a população de lá também precisa das vacinas. Uma cidade do tamanho de Londrina precisava ter um planejamento melhor para não faltar medicamentos. Acho que é um pouco de descaso do governo'', criticou.
A gerente de Vigilância Epidemiológica afirmou que o problema ''não depende do Município''. ''Desde março, quando a vacina contra rotavírus foi incluída no calendário básico do Ministério da Saúde (MS), temos sofrido essa inconstância no fornecimento. Às vezes falta durante quatro dias, às vezes duas semanas'', afirmou. O repasse das vacinas é feito pelo governo federal aos Estados, que distribuem para as regionais de saúde.
A assessoria de imprensa do Ministério da Saúde afirmou que o problema é pontual e o atribuiu a falhas no âmbito estadual ou municipal. ''A distribuição ficou um pouco defasada em julho e agosto, após um problema que o laboratório teve na fabricação, mas já está totalmente regularizada. Além disso, o MS sempre manteve um estoque emergencial, que pode ser solicitado pelos Estados'', alegou.
Ainda de acordo com o MS, entre março e novembro deste ano, o Ministério recebeu 8 milhões de doses do laboratório e distribuiu apenas 4,6 milhões em todo o País, conforme as solicitações. A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Saúde não retornou a ligação da reportagem até o fechamento da edição.
Para quem foi prejudicado pela falta de vacinas, o jeito é redobrar a prevenção. Como a transmissão da rotavirose ocorre pela via fecal-oral, os pais devem ter cuidados básicos de higiene, como lavar sempre as mãos após a troca de fraldas e manter os utensílios da criança bem limpos. Diante dos sintomas - febre, diarréia, vômito e desidratação - o atendimento médico deve ser procurado imediatamente. Se não for tratada, a doença pode matar.


