Amanhã Londrina recebe mais uma edição da Marcha Mundial da Endometriose, evento que pretende chamar a atenção sobre a doença. A concentração será no Calçadão, em frente ao Cine Teatro Ouro Verde, a partir das 9 horas. Haverá distribuição de folhetos com informações sobre os sintomas e apitaço.
A endometriose atinge cerca de 6 milhões de mulheres no Brasil e acredita-se que entre 10% e 15% a população feminina em fase reprodutiva sofram da doença. Ela ocorre quando o endométrio (tecido que reveste o útero) se desloca para outros órgãos como os ovários, trompas, intestino, provocando cólicas muito fortes, dores durante a relação sexual, ao urinar e evacuar e pode levar à infertilidade.
A doença pode ser de três tipos. Superficial, com lesões muito pequenas na região pélvica e que, às vezes, os exames não são capazes de identificar. De ovário é a mais comum, atingindo em torno de 40% das mulheres. A endometriose profunda é o tipo mais avançado com lesões de mais de cinco milímetros de espessura e podem afetar intestino, vagina, bexiga, ureter e outros órgãos.
O diagnóstico ainda é difícil e muitas mulheres passam por vários médicos até confirmar a doença. O intuito da marcha é levar o conhecimento sobre a doença e cobrar políticas públicas sobre o tema.
A técnica de secretaria Kelly Cristina de Souza Klein, de 31 anos, que é uma das organizadoras da EndoMarcha 2016, sofreu de cólica desde a primeira menstruação até passar por cirurgia há quase dois anos.
Cada ciclo era sinônimo de tortura para Kelly. As cólicas incapacitavam qualquer tipo de atividade e por várias vezes precisou ser medicada no hospital. O uso de anticoncepcional amenizou as dores. Mas em 2012, Kelly decidiu engravidar e suspendeu o medicamento e as fortes dores voltaram. A cada mês a intensidade das cólicas pioravam.
"Precisava pegar atestado médico todos os meses, sentia dores nas pernas que me incapacitavam de andar. Não conseguia ficar sentada e tinha muita dor durante a relação sexual. Você começa a colocar a vida em um calendário. Daqui tantas semanas vai começar o sofrimento", relata Kelly.
Ela peregrinou por quatro médicos até confirmar o diagnóstico. Fez cauterização do colo do útero, investigou a parte gástrica e intestino até encontrar um médico especialista em endometriose. "A gente vai se acostumando com a dor e eu ficava envergonhada de ficar tanto tempo afastada do trabalho."
Em junho de 2014, uma videolaparoscopia para retirada dos focos de endometriose e quatro meses depois ela engravidou da primeira filha: a Manuela, que está com sete meses. Kelly ainda sente dores durante a relação sexual e deverá fazer fisioterapia. "O músculo do períneo se contrai durante tanto tempo que vou ter que fazer fisioterapia para melhorar a dor."

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