Londrina rebate ataque aéreo inimigo.
Guerra simulada desperta curiosidade
Em plena segunda-feira, treinamento militar toma conta do céus da Cidade e chama a atenção das pessoas - principalmente das crianças
Lúcio Horta
O alarme soou pouco depois das 7 horas da manhã. Quatro caças Xavante, de um país inimigo conhecido como ‘‘Vermelho’’, decolaram de Araçatuba (interior de São Paulo). O alvo do ataque é uma das bases aéreas do ‘‘País Azul’’, onde se encontram dez dos caças norte-americanos F-5 Tiger. Mais precisamente: Aeroporto de Londrina.
A base anti-aérea, instalada à margem da estrada do Limoeiro, na zona leste de Londrina, recebeu o alerta da aproximação e localizou os invasores pelo radar de busca. Os Xavante estavam, neste momento, a uma distância de 40 quilômetros e se aproximando rapidamente. Em poucos minutos, a contra-ofensiva era preparada pelo País Azul.
O canhão anti-aéreo Oerlklicom, de 35 milímetros e com capacidade para 1,1 mil tiros por minuto, abriu fogo contra os alvos inimigos quando os caças chegaram a uma distância de quatro quilômetros. Três naves não tiveram chances e foram abatidas assim que o radar de tiro as capturou. O quarto avião também foi derrubado, por outra unidade anti-aérea, instalada perto do Hospital Universitário (HU).
O sucesso da operação de defesa anti-aérea, no entanto, não foi completo. Depois de passar pela base do Limoeiro e antes de ser abatido pela base do HU, o Xavante do País Vermelho teve tempo de lançar bombas ou foguetes, que caíram sobre o aeroporto de Londrina, causando pânico e destruição.
O ataque aéreo que atingiu o aeroporto local ontem de manhã não passou, evidentemente, de simulação. A operação faz parte de um exercício de guerra integrado, chamado Combinex IX, envolvendo Marinha, Exército e Aeronáutica.
Neste exercício, feito anualmente no Brasil, os soldados são colocados sob condições reais de uma guerra e testam a capacidade de ataque e defesa.
Ainda assim, e apesar de tudo não passar de mentirinha, a presença em Londrina de caças F-5 da Força Aérea Brasileira (FAB) tem despertado a curiosidade de muitos moradores - principalmente crianças - de todas as partes da Cidade. Muita gente tem ido até o aeroporto, na zona leste, para ver de perto os famosos caças popularizados no mundo inteiro por filmes produzidos em Hollywood.
O garoto Alexandre Firmino de Oliveira, 13 anos, não estava entendendo muito bem o que acontecia. Não sabia por que o aeroporto local, onde ele estava de manhã, tinha sido ‘‘atacado’’ horas antes por ‘‘aeronaves inimigas’’.
O fascínio pelas máquinas voadoras, no entanto, fez com que Alexandre ficasse horas no alambrado do aeroporto, admirando os F-5. ‘‘Queria ver de perto, lá na pista, pedi para entrar mas não deixaram’’, lamenta Alexandre. Ele completa: ‘‘Se puder, ainda vou ser piloto e comandar um caça igual aos que estão aqui’’.
Esse também é o sonho de Aílton Cristani Caldas, 11 anos, que soube pelo jornal dos exercícios aéreos e aproveitou a manhã para ir ver os caças. ‘‘Já vi muitos filmes com aviões assim e achei legal’’, diz ele. ‘‘Pretendo vir aqui todos os dias para ver os caças.’’
Amauri Rodrigues Coelho, morador da região do aeroporto, não perdeu a oportunidade de ver os caças F-5 da FAB se movimentando.
Assim como em agosto de 1996 - quando uma operação semelhante ocorreu em Londrina -, ele aproveitou o dia de céu aberto para ver os caças não só na pista do aeroporto como também cruzando os céus da Cidade. ‘‘O que mais chama a atenção é a velocidade que esses aviões atingem. É muito legal.’’

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