Londrina quer ser modelo em técnica de ressuscitação
Betânia Rodrigues
De Londrina
Especial para a Folha
O Hospital Universitário e o Instituto do Coração (Incor) de São Paulo pretendem transformar Londrina em cidade modelo de treinamento para ressuscitação cardiopulmonar no Brasil. No Brasil, as primeiras iniciativas em relação ao treinamento básico e avançado da população começaram em 97. Dos cerca de 10 centros de capacitação no país, três ficam na capital paulista. No Paraná, Curitiba e Londrina estão no mesmo nível de organização de suas unidades, mas Londrina é a única cidade a desenvolver uma campanha específica de conscientização popular.
Queremos que até agosto o nosso centro esteja funcionando com carga total. Nessa fase, poderemos treinar cerca de 600 pessoas por mês que estarão habilitadas a repassar as técnicas em suas comunidades. Em dois ou três anos, esperamos que este índice chegue a 20 mil, destacou o presidente do Comitê de Ressuscitação Cardiopulmonar do HU e coordenador do projeto Tempo é Vida, Manoel Canesin.
Ontem, o Centro de Ciências da Saúde (CCS) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) encerrou a primeira atividade do projeto. Desde sexta-feira, médicos plantonistas do HU e o Siate estiveram no Catuaí Shopping Center fazendo demonstrações de atendimento a paradas cardíacas.
O cardiologista do Incor, Miguel Antonio Moretti, esteve na cidade e deu aula à população sobre a importância do socorro imediato a vítimas cardíacas. As doenças coronárias matam mais do que os acidentes de trânsito, Aids ou câncer. No mundo, todo ano 500 mil pessoas sofrem um infarto, mais da metade morre antes de chegar ao hospital, afirmou Moretti.
Segundo Moretti, até uma criança de 10 anos, bem treinada, é capaz de socorrer uma vítima de infarto. O atendimento básico é simples, mas não pode passar de 10 minutos. Caso contrário, a morte cerebral é praticamente irreversível. Até a chegada do médico, existem 10 passos entre a identificação do ataque e a respiração boca a boca com massagem torácica que não devem passar de um minuto e meio. Depois de quatro minutos sem atendimento, a vítima pode sofrer lesões cerebrais graves. Dos quatro aos 10, inicia-se o processo de morte cerebral.
As manobras de ressuscitação cardiopulmonar e o uso de desfibriladores automáticos externos, nos primeiros seis minutos após o ataque,
fizeram Seatle (EUA) elevar o índice de sobrevivência para 60%. Desde o ano passado, o laboratório de habilidades do HU oferece o curso básico e avançado de socorro a infartos. Já capacitou 80 profissionais e 28 leigos.
É pouco para uma cidade do porte de Londrina. O departamento cardíaco do laboratório ainda não tem todos os equipamentos necessários. Com este projeto pretendemos conscientizar a comunidade e angariar dinheiro para investir nele, disse Canezin.





