Londrina proíbe garimpo no aterro
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segunda-feira, 11 de junho de 2001
Osmani Costa De Londrina 
Os catadores de lixo estão impedidos desde ontem de fazer a coleta de materiais recicláveis no aterro sanitário, o antigo lixão de Londrina.
Para impedir a entrada dos 22 trabalhadores que garimpam no local há anos, a Companhia Municipal de Transportes e Urbanização (CMTU) requisitou o apoio de duas viaturas da Polícia Militar, mas não houve incidente.
O presidente da CMTU, Wilson Sella, permaneceu cerca de duas horas reunido com os garimpeiros em frente ao aterro e negou o pedido de mais alguns dias de prazo para a saída deles do local. A partir de hoje (ontem) ninguém mais entra para trabalhar na separação do lixo. A decisão é inegociável, afirmou Sella.
Ele disse que os garimpeiros serão assessorados na criação de uma cooperativa e orientados para se tornar profissionais do lixo reciclável. Todos serão transferidos para um local público a Fazenda Refúgio, na zona sul da cidade, a alguns quilômetros do lixão para o treinamento na separação de 30 tipos de materiais que poderão ser vendidos a empresas de reciclagem. A diferença é que trabalharão exclusivamente com lixo seco, sem material orgânico, resultado da coleta seletiva em fase de implantação pela CMTU.
Os garimpeiros estão preocupados com a mudança porque não têm a garantia de que conseguirão manter o rendimento mensal que obtinham no aterro sanitário. De acordo com o presidente da Associação dos Trabalhadores do Lixão, Dirceu de Paula, cada um dos 22 que atuam no local retira entre R$ 400,00 e R$ 600,00 por mês. O pessoal está mais preocupado do que animado. Temos nossas famílias para sustentar. Não sabemos se a mudança vai ser para melhor ou pior.
Segundo previsão dos técnicos da companhia, o rendimento dos trabalhadores poderá triplicar em poucos meses. Para a CMTU, eles já têm experiência, atuarão em melhores condições e com materiais mais valorizados no mercado, como vidro, plástico, papel e latas de alumínio. Outra mudança que assusta os garimpeiros é que não poderão mais trabalhar de forma individualizada, mas dentro de cooperativas.
A CMTU deu prazo até hoje para que os 22 trabalhadores retirem do aterro sanitário o material que coletaram na semana passada. A partir de amanhã, eles devem comparecer na Fazenda Refúgio para o início do treinamento e encaminhamentos ligados à cooperativa. Como não temos outra opção, vamos nos mudar para lá acreditando nas promessas da CMTU, comentou Dirceu de Paula, que há cerca de 20 anos garimpa no aterro.
De acordo com Wilson Sella, já existem oito cooperativas atuando no novo sistema de separação de lixo reciclável.


