Londrina precisa erradicar 2 mil árvores
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domingo, 11 de novembro de 2007
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
A dona de casa Daniela Teles não aguenta mais os cupins invadindo a casa dela, que fica na Rua Itaguajé, no Conjunto Lindóia, na Zona Norte de Londrina. O forro, a porta do banheiro e parte da área de serviço estão se deteriorando porque os insetos que vivem na sibipiruna plantada na rua, em frente ao terreno, têm migrado para a residência da família.
Daniela vive no bairro há dois anos, mas mudou-se para o número 66 da Rua Itaguajé no ano passado. ''Eu morava na casa da frente e sempre escutava a antiga moradora reclamar da podridão da árvore'', conta.
Segundo a dona de casa, ''em dia de vento dava para ver o perigo que é essa árvore. Inclusive a vizinha me contou que, quando chovia, ela costumava ficar no quarto dos fundos com medo de que a árvore caísse''.
Depois das fortes chuvas que castigaram Londrina na semana passada, Daniela procurou a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Sema), mas foi informada que não poderia requisitar o corte porque o antigo morador da casa já havia feito o pedido, em agosto do ano passado. Desde então a moradora tem ligado para a Sema periodicamente, sem sucesso. ''Fui informada que se eu quisesse cortar a árvore por conta própria, a secretaria liberaria uma autorização, mas não tenho dinheiro para gastar com isso.''
Conforme a dona de casa, a Sema sugeriu que ela fizesse uma aplicação de inseticida para controlar a infestação de cupim na casa e avisou que técnicos cortariam a árvore sem aviso prévio, já que o serviço é externo à residência.
Na Região Central da cidade, o agente técnico de operação Edson Arantes percebeu que uma das árvores que margeiam a Avenida Juscelino Kubitschek, na esquina com a Rua Tupi, está tão alta que os galhos pendem sobre os fios de alta tensão.
Ele também ligou para a Sema para avisar sobre as condições da planta e foi informado de que deveria fazer o pedido de poda pessoalmente. ''Como trabalho no horário comercial não tenho tempo de ir até a secretaria'', justifica Arantes.
Para ele, por localizar-se num local bastante movimentado da cidade, ''a árvore é um perigo para quem passa por ali''. ''Sou defensor do meio ambiente, lamento pela árvore, que é bonita, mas como ela já está pendendo acredito que a solução seja a erradicação'', opina.
Segundo o diretor operacional da Sema, Gerson Galdino, já foi aprovado o pedido de erradicação da tipuana. A secretaria, inclusive, pediu auxílio da Copel para a retirada dos galhos que pendem sobre os fios. ''Além da inclinação, a árvore atrapalha a circulação das pessoas pela calçada'', informa Galdino. Conforme ele, o serviço deverá ser realizado num sábado, dia de menor movimento no local.
Ainda segundo o diretor da Sema, existem hoje 2,1 mil pedidos de corte e pouco mais de mil requisições de poda a serem realizadas na cidade. ''A demanda está acumulada de agosto de 2005 para cá'', assinala Galdino, ressaltando que, por mês, a secretaria recebe em torno de 330 pedidos de corte e 60 de poda.
Ao todo, 28 funcionários trabalham na poda e erradicação de árvores em Londrina e conforme o diretor, após a aprovação do plano de gestão de resíduos do município, a Sema deverá contratar uma empresa terceirizada para suprir a demanda, no início do próximo ano. ''Procuramos atender primeiro os casos em que as árvores oferecem maior risco à população.''
De acordo com Galdino, a secretaria também costuma autorizar o corte de árvores quando o morador se prontifica a arcar com os custos. Este ano, 22,25% das erradicações da cidade foram feitas por particulares.


