Londrina deve implantar um projeto de justiça restaurativa a partir do ano que vem. A informação é do professor de criminologia e sociologia da PUC/Unifil Cezar Bueno, que palestrou, ontem pela manhã, durante a Jornada Municipal sobre Responsabilidade Juvenil, no Teatro Marista.
Conforme o professor, a justiça restaurativa busca respostas para as causas dos delitos envolvendo jovens, não apenas punindo o agressor, mas também possibilitando à vítima fazer parte da resolução do problema. No Brasil, como afirmou Bueno, existem três projetos pilotos que prevêm o uso da mediação na resolução de conflitos.
Em Porto Alegre (RS), vítimas confrontam infratores até chegarem a um acordo. Já em São Caetano do Sul (SP), o projeto é voltado para as escolas, enquanto em Brasília, a mediação é utilizada para resolver crimes de menor potencial ofensivo envolvendo adultos.
''Em Londrina, o projeto ainda está na fase de captação de recursos, mas só será utilizado se for considerado eficiente para o determinado conflito'', assinalou Bueno, ressaltando que o projeto pretende capacitar mediadores capazes de dialogar com a vítima e com o infrator. ''A mediação só acontecerá com o consentimento espontâneo da vítima e do agressor e só terá êxito se conseguir envolver a comunidade'', completou.
Ainda ontem, a psicóloga Lidercy Prestes Aldenucci, coordenadora de estágios em mediação familiar do Instituto de Mediação e Arbitragem do Brasil (Imab), falou sobre a experiência da justiça restaurativa em Joinville (SC), onde o projeto Pacificando e Prevenindo a Violência foi instituído há três anos.
O objetivo do mediador, explicou Lidercy, é acolher o adolescente e ouvi-lo. Depois, aproximá-lo da família, na tentativa de transformar o relacionamento entre o jovem e seus familiares. ''A família também deve se responsabilizar pelo ato infracional do adolescente'', alertou a psicóloga. Segundo ela, somente se o jovem estiver preparado ele partirá para um posterior confronto com a vítima da infração.
Outra forma de mediação assinalada por Lidercy é a que pode acontecer nas escolas, como forma de prevenir atos infracionais. ''Educadores capacitados podem identificar conflitos na sua fase inicial e ajudar na diminuição da escalada da violência.''
''Só quando a escola não dá conta é que o caso deve ser encaminhado ao poder judiciário'', complementou a psicóloga, informando que, em Joinvile, diminuiu em 70% o encaminhamento de casos das escolas para o juizado da Infância e Juventude depois da implantação da justiça restaurativa. ''É uma linha mais preventiva que resolutiva'', concluiu Lidercy.
Para a promotora da Vara da Infância e Juventude de Londrina, Édina Maria Silva de Paula, com a justiça restaurativa ''o adolescente vira gente, ganha corpo, rosto e não é somente um infrator''. ''Para a sociedade ainda é difícil aceitar porque infrator é apenas o filho do outro.'' (leia mais sobre a jornada no Primeiro Caderno)

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