Londrina poderá ter um crematório e um cemitério vertical em breve. A informação foi dada pelo superintendente da Administração de Cemitérios e Serviços Funerários (Acesf), Osvaldo Moreira Neto, que não quis dar mais detalhes para não prejudicar o empreendimento. A iniciativa seria de um grupo curitibano que já estaria viabilizando a aquisição de um terreno no município.
A princípio seria instalado o incinerador, medida que supriria a procura por cremações em Londrina. ''Esse ano já tivemos quase dez casos só no município de pessoas que queriam a cremação do ente falecido, entretanto sempre recebemos ligações de outras cidades paranaenses, paulistas e até do Mato Grosso'', garante Moreira Neto. Os locais mais próximos para a cremação são Curitiba e São Paulo.
A instalação do crematório iria atender também a demanda da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que tem dificuldades com o descarte de peças anatômicas humanas e de animais. ''Já foi colocada esta possibilidade para o grupo e eles acharam interessante ter mais essa demanda'', afirma o superintendente da Acesf.
Segundo a chefe do Departamento de Anatomia da UEL, Vilma Schwald Babboni, só em 2005 a UEL encaminhou cerca de 140 quilos de peças humanas para a Acesf dar a destinação adequada. ''A instalação de um incinerador sempre foi nossa meta. Nós incluímos o pedido nos dois últimos planejamentos estratégicos que fizemos. Pedimos também uma câmara fria, mas sabemos que ambos são caros'', afirma.
O problema maior está no descarte dos restos animais do Hospital Veterinário (HV), uma vez que muitos estão infectados, pois são resultados de pesquisas científicas. De acordo com informações da prefeitura do campus universitário, a UEL tem uma parceria com o grupo responsável pelo aterro sanitário de Londrina, que destina esse material junto com o lixo hospitalar. A ação é vista sem ressalvas pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), apesar de levantar questionamentos entre a própria comunidade universitária.
''Durante muitos anos essa questão foi discutida aqui na UEL, mas nunca se chegou a uma conclusão. A possibilidade de incinerar estes restos humanos e de animais sempre foi bem vista, mas descartada por uma questão financeira'', afirma Laerte Matias, que durante sete anos em gestões diferentes esteve à frente da prefeitura do campus. O prefeito recém-empossado, Walter Germanovix, destaca que, além da indisponibilidade financeira, a instalação no campus é dificultada pela legislação ambiental que prevê que um crematório fique a pelo menos um quilômetro de qualquer outro empreendimento.
Segundo o chefe regional do IAP, Carlos Aberto Hirata, a instalação de um crematório não causaria problemas ambientais, desde que fossem seguidas todas as normas e leis estaduais e federais. ''Não acredito que Londrina tenha um perfil para cremações, mas desde que seja feito tudo dentro da lei, não vejo problema'', afirma. Ele destaca apenas que um empreendimento como este exige a execução de um Estudo de Impacto Ambiental (EIA-Rima) completo.
A Acesf já enfrenta dificuldades para o financiamento deste estudo para a instalação de um novo cemitério. Segundo informação publicada pela Folha, o valor do EIA-Rima do cemitério seria de R$ 350 mil. Nem a Acesf nem a UEL souberam informar os custos de instalação de um crematório.

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