A batalha - legal e na prática - entre os taxistas e mototaxistas ainda não está resolvida em Londrina, e um novo ingrediente para apimentar esta discussão está prestes a surgir. Empresários de Cascavel pretendem instalar na Cidade a primeira fábrica-montadora de veículos triciclos da América Latina. Os proprietários da empresa Montricar do Brasil, Hélio Laurindo e Jorge Lamour, se reuniram e almoçaram ontem com o prefeito Antonio Belinati (PTB) e o vice-prefeito e presidente da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel), Alex Canziani (PTB), para discutir detalhes da proposta.
O investimento para a instalação da montadora está orçado em cerca de US$ 106 milhões e geraria 800 empregos diretos e perto de outros dois mil indiretos. Para a instalação, os empresários cascavelenses estão à procura de um terreno de oito alqueires, apoio na infra-estrutura e isenções fiscais. De acordo com Jorge Lamour, três estados já demonstraram interesse na montadora: Goiás, Maranhão e o Paraná.
‘‘Nossa preferência inicial é pelo Paraná, mas a definição vai depender das condições oferecidas pelos governos e prefeituras interessados na instalação da fábrica. Esperamos que o governo de Lerner nos ofereça os mesmos benefícios que ofereceu às montadoras que estão se instalando na Grande Curitiba’’, comenta Lamour. A Montricar fez acordo com a fábrica de triciclos Tuc-Tuc, da Tailândia, para ser a fabricante e distribuidora exclusiva dos dez modelos destes veículos de três rodas na América Latina.
O presidente da Codel ficou entusiasmado com o projeto e a possibilidade da vinda de uma fábrica de triciclos para a Cidade. ‘‘O negócio é amplamente viável. O mercado para estes tipos de veículos é grande e vai se expandir ainda mais no futuro. Nossa administração vai fazer todo o esforço possível para trazer está nova fábrica para Londrina’’, garante Alex Canziani.
Segundo ele, a Codel a a Prefeitura vão iniciar imediatamente as ações junto ao Governo do Estado, para tentar viabilizar apoio e incentivos que possibilitem a vinda da Montricar para Londrina. ‘‘Temos todo o interesse em tornar realidade este novo investimento, que traria muitos empregos e geraria renda para os londrinenses. A Prefeitura se dispõe a entrar com uma parte, mas vamos necessitar também de apoio do Governo do Paraná. Vamos em busca dele ainda nesta semana’’, diz Canziani.
O empresário Hélio Laurindo conta que a vinda da fábrica dos triciclos Tricar Tuc-Tuc para o Brasil tem apoio do Governo da Tailândia, que pretende não só lucrar com a arrecadação de impostos de exportação mas também aproveitar a oportunidade para divulgar a imagem e cultura daquele país na América Latina. ‘‘Já tivemos várias reuniões com ministros tailandeses, e eles estão entusiasmados com o projeto’’, afirma o dono da Montricar.
De acordo com Jorge Lamour, os acertos finais para a liberação da importação e emplacamento-licenciamento dos triciclos estão sendo negociados com as autoridades federais de Brasília. ‘‘Faltam alguns detalhes, mas não teremos problemas de legalização. Até porque esses veículos são fabricados há mais de 40 anos e circulam por muitos países da Ásia, África, Europa, Oceania, além de Estados Unidos e Canadᒒ, diz o empresário.
Segundo ele, tudo estará resolvido até o final deste ano. A intenção é iniciar as obras de instalação da fábrica-montadora em janeiro de 98. Um ano depois, o plano prevê a nacionalização de 60% dos veículos, inclusive terceirizando parte da produção de peças.

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