Os moradores da região oeste de Londrina estão preocupados com a possibilidade da prefeitura perder recursos federais na ordem de R$ 2 milhões para a construção da Praça dos Esportes e da Cultura (PEC), no Jardim Santa Rita 1. A previsão de início das obras era para o primeiro semestre deste ano, e inauguração no segundo semestre de 2013, mas até ontem a ordem de serviço não foi dada à empresa contratada.
De acordo com a conselheira de saúde do Jardim Leonor, Juvira Cordeiro, os recursos do governo federal já estão disponíveis na Caixa Econômica Federal, o projeto já foi licitado e publicado no Diário Oficial. ''A Caixa só está aguardando a ordem de serviço para liberar o valor. Estamos apreensivos porque fomos informados que se isso não acontecer até o final deste mês o dinheiro será devolvido aos cofres da União'', afirma.
A PEC, que deverá ser construída em terreno de 4.443,61 metros quadrados na Rua Ângelo Gaiotto, contará com quadra poliesportiva coberta, pista de skate, equipamentos de ginástica, playground, pista de caminhada e mesa de jogos. O espaço, segundo o projeto, também será dotado de Centro de Referência de Assistência Social (Cras), salas multiuso, biblioteca, cineteatro e telecentro.
O projeto pretende garantir acessibilidade, segurança, gestão compartilhada, inclusão digital e social, qualificação social e profissional, atividades culturais, de esporte e lazer. Pelo menos 50 servidores devem compor o quadro de funcionários.
Segundo Juvira, a praça vai beneficiar 22.492 famílias da região. ''A proposta será muito positiva porque terá resultados diretos na diminuição do índice de criminalidade naquela região, que tem cinco favelas'', considera. ''É uma proposta de grande relevância porque vai tirar os meninos do aliciamento de traficantes'', completa o também do conselheiro de saúde do Jardim Leonor, Irineu Marques da Silva. Ambos afirmam que a mudança de vida que a PEC vai proporcionar naquela zona oeste terá reflexo para toda a cidade.
Prioridades
De acordo com o secretário municipal de Gestão Pública, Denilson Vieira Novaes, o projeto ficou parado devido à crise financeira que afetou a prefeitura neste ano. ''Em agosto, estávamos com deficit orçamentário de R$ 50 milhões e, por isso, todas as obras que exigiam contrapartida do município foram suspensas, inclusive a PEC, que demandava R$ 141 mil'', alega.
Com a aprovação do Programa de Regularização Fiscal (Profis), em outubro, ''e sua grande adesão'', no mês seguinte o cenário mudou e o município começou a retomar os processos que estavam parados.
Segundo Novaes, no momento há três prioridades, a PEC, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Jardim do Sol e o Teatro Municipal de Londrina. ''Provavelmente, os contratos para estas obras serão assinados na próxima semana'', prevê.
No caso da Praça dos Esportes e da Cultura, o secretário diz que a Gestão Pública já entrou em contato com a empresa vencedora da licitação, a Terra Roxa Engenharia, para saber se mantém a proposta. O prazo para execução da obra é de dez meses.
Novaes acredita que o município não perderá os recursos federais. ''Se conseguirmos fechar o contrato, teremos argumentos suficientes para pedir a prorrogação tanto para este convênio quanto para outros, visto que a prefeitura passou por um ano atípico'', afirma.
O secretário reconhece que a obra trará um ganho social ''muito importante'' para aquela região e também para toda a cidade, e reforça que o processo ficou parado ''não por falta de vontade, mas por questões financeiras''. ''Não tínhamos como assumir o compromisso sem dispor dos recursos'', completa.

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